64 ANOS Pioneiras relembram história de colégio A falta de dinheiro, o transporte precário e os reflexos da Segunda Guerra foram lembrados na festa dos 64 anos do Mãe de Deus Dorico da SilvaDorico da SilvaA festa dos 64 anos do Colégio Mãe de Deus, ontem à tarde (acima): ao lado, a irmã Marina Schafhauses em companhia de Maria Alice Bruggin de Arruda Leite, da primeira turma de alunas: lembranças dos primeiros tempos do estabelecimento de ensino Érika Pelegrino de Londrina Um encontro movido por história e memória marcou a festa de aniversário dos 64 anos do Colégio Mãe de Deus em Londrina, ontem à tarde. Dificuldades e alegrias de uma época em que a cidade começava a ser desbravada: a Segunda Guerra Mundial; a falta de dinheiro; o transporte precário a base de lombo de cavalo e trem, que deixava a cidade sem mantimentos em dias de chuva; a fibra de irmãs jovens que vieram da Alemanha sem falar o português e as apresentações de teatro dos alunos do colégio, que era a grande diversão dos pioneiros. Tudo foi recordado em breves pinceladas por Maria Alice Bruggin de Arruda Leite, hoje com 69 anos, e que fez parte da primeira turma da escola, e pela irmã Marina Schafhauses, hoje com 83 anos. Em seis de março de 1936, 66 alunos tiveram seu primeiro dia de aula em duas salas de madeira construídas na Rua Minas Gerais, onde hoje é o Edifício Palácio do Comércio. Para lecionar e dirigir a escola, um grupo de irmãs da Alemanha foi trazido para Londrina. A primeira parada delas, segundo Maria Alice, foi em Jataizinho, onde aprenderam um pouco do português. ‘‘Junto com elas veio para Londrina uma professora a quem as irmãs recorriam quando tinham dificuldades com o nosso idioma’’, lembra a ex-aluna. Em pouco tempo a escola cresceu. Em 1938 o espaço já era pequeno, pois o colégio já estava com 138 alunos. ‘‘A Companhia de Terras Norte do Paraná doou este terreno onde o colégio está até hoje. O colégio passou então a ter internato e semi-internato’’, recorda a ex-aluna. Logo em seguida vieram tempos difíceis com a Segunda Guerra Mundial, quando proibiu-se os idiomas dos países do eixo – Alemanha, Itália e Japão. ‘‘Na época eu fazia alemão com a irmã Clarence e as aulas foram proibidas’’, recorda. As irmãs, assim como todas as pessoas que chegaram a Londrina no início de seu desbravamento, enfrentavam também problemas com a escassez de alimentos, devido ao transporte precário. A falta de dinheiro na época fazia com que muitos pais pagassem o colégio com mercadorias, segundo Maria Alice. ‘‘Um pai deu um piano velho como pagamento. Foi com ele que começaram as aulas de piano na escola’’, lembra Maria Alice. Irmã Marina recorda-se da dificuldade em se locomover na cidade. Ela chegou em 1951, aos 34 anos, para trabalhar como catequista, vinda de Rio Negro (PR). ‘‘As irmãs enfrentaram tudo com muita fibra e imprimiram a Londrina uma cultura muito forte’’, afirma Maria Alice. ‘‘Em 1936 já nos ensinavam teatro, pintura, datilografia, entre outros cursos’’, complementa. As apresentações de teatro eram o orgulho das irmãs e alunos, pois toda a população gostava muito de assistir. Maria Alice conta que eram dois dias de apresentações. ‘‘As irmãs alugavam o Cine Londrina, que funcionava onde hoje é a praça da Rua Quintino Bocaiúva, para as encenações de Branca de Neve, João e Maria e muitas outras’’, lembra. ‘‘A população adorava, porque era uma das únicas diversões da época’’, complementa irmã Marina. Hoje o colégio conta com 700 alunos e 50 irmãs. Ontem, em seus 64 anos, Maria Alice Bruggin de Arruda Leite contou um pouco desta história para as alunas de 1ª a 4ª séries do colégio. As alunas também fizeram uma breve apresentação sobre a história da escola.