Curitiba - ''A Yoga não mudou com a sua popularização porque ela é tradicional'', avalia a veterana Monserrat Rosa Fernandes, de 81 anos, há quase quatro décadas como professora da prática milenar da Índia, em Curitiba. Ela que já era professora de Teologia, começou a ensinar a atividade por vocação, depois que caiu em suas mãos um livro sobre o assunto. ''Tive sorte. Comecei na Hatha Yoga e sempre procurei ficar nas linhas tradicionais. Não criei nada de diferente. No começo, tínhamos aqui a Associação Internacional de Professores de Yoga, com sede na Inglaterra, da qual me tornei sócia'', relata.
Nas contas da professora, ela teve 3 mil alunos, entre jovens e idosos, dos quais alguns ainda estão com ela há mais de 30 anos. O Centro de Vivência Monserrat - que há dois anos também se tornou Asrham Monserrat - fundado por ela, funciona no Bairro de São Francisco, há 33 anos. ''Aparececeram muitas linhas e ofertas sem fundamento algum. Virou moda e a gente encontra espaços que fazem de tudo, menos Yoga, assim como boas academias. Isso nos impulsiona a primar pelo trabalho integral e sério'', avalia Monserrat, reconhecendo a importância de outras duas veteranas no Paraná, Teodolina Curi e Ivone Boti.
Ela acredita que o 'boom' da Yoga no Brasil ocorreu entre 1985 e 1990. ''Houve uma explosão de coisas boas porque alguém descobriu a seriedade da Yoga. Isso foi positivo. Hoje a prática está no auge de sua proposta porque as pessoas vão além de se exercitar, elas querem meditar e despertar aquilo de mais profundo nelas'', observa a professora, contando que viajou na companhia do professor Hermógenes - referência no Brasil - e de mais 19 professores para a Índia, em 1985, e lá começou a ensinar.
Segundo a Associação de Yoga Paranaense (Aypar) existem cerca de 50 instrutores e 30 espaços para praticantes em Curitiba filiados a entidade. Outros 15 instrutores associados são de Foz do Iguaçu, Paranaguá, Guarapuava, Cascavel, Ponta Grossa e Campo Largo. Dentre as linhas de Yoga disseminadas no Paraná estão a Iengar Yoga, Ashtanga Vinyasa Yoga, Power Yoga, Vinyoga e Yoga Integral, cada uma com suas peculiaridades e mestres, além é claro da Hatha Yoga que se caracteriza pela permanência nos asanas (posturas corporais).
''O profissional se torna um bom instrutor de acordo com a seriedade e dedicação à prática e estudos teóricos. A Yoga se expande à medida que a classe médica reconhece seus efeitos físicos, mentais e transformador em todos os aspectos da personalidade'', pondera Angélica Beil, professora e presidente da Aypar. ''A prática independe da classe social ou cultural. A Yoga é para todos, basta estar interessado'', conclui Beil, dizendo que o reconhecimento da profissão está a caminho, inclusive, com um projeto de lei que tramita no Congresso Nacional.(F.G.)

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