Pioneira de 111 anos é a própria história
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sexta-feira, 15 de setembro de 2006
Erica Shimamura<br> Reportagem Local 
Ribeirão Claro - Depois de mais de 100 anos de idade, se perde a conta do que se viveu. Mas para Ana Maria de Jesus, uma das pioneiras de Ribeirão Claro (24 km a Leste de Jacarezinho) e parte da memória viva da cidade, ainda é possível relembrar o passado, mesmo que de uma forma fragmentada.
Dona Ana não tem documentos pessoais que comprovem sua idade e também não sabe em que dia faz aniversário. Mas segundo pesquisas feitas por seu neto, Josué José Antônio, ela tem 111 anos, tendo nascido provavelmente em 1895. ''O único documento encontrado foi a certidão de batizado de uma irmã de minha avó, que era dois anos mais nova que ela. Este documento data de 1897, então provavelmente ela tem 111 anos mesmo'', conta Antônio. A pesquisa foi feita na comunidade rural Aldeia de São Vicente, localidade próxima a Resende, no Rio de Janeiro, de onde a família migrou para o Norte do Paraná.
Ainda que com dificuldades, dona Ana consegue contar um pouco de sua história. Ela mal consegue enxergar e precisa de um ''intérprete'' para ouvir. Mas quando é instigada a lembrar do passado, fala alto e dá respostas rápidas e certeiras.
Ela conta que chegou à Ribeirão Claro aos 15 anos, junto de 48 famílias vindas do Rio de Janeiro. ''Viemos todos de um lugar só. Fomos a pé até Resende e daí chegamos de trem e carro de boi'', conta. ''Hoje só existe eu daquelas famílias'', acredita. A emancipação política de Ribeirão Claro ocorreu em maio de 1908. O grupo de migrantes, segundo dona Ana, chegou à cidade dois anos depois.
Na viagem do Rio para o Paraná, dona Ana perdeu todos os documentos. A prefeitura de Ribeirão Claro quer ajudar a recuperar essa documentação para fazer a indentidade de uma das mais antigas moradoras da cidade, informa a assessoria de imprensa. Segundo o neto da centenária, até mesmo o nome que ela utiliza hoje não é o original. ''Este nome ela criou para se casar. Mas é este o que está cadastrado para receber a aposentadoria'', conta.
Sobre a cidade, ela recorda da Fazenda Monte Claro, que segundo a assessoria de imprensa, era a maior fazenda de café da região na época. ''Quando cheguei aqui só tinha 3 casas, o resto era só taquara'', conta, se referindo à casa de ferragem, a farmácia e à igreja.
Apesar da idade, dona Ana passou pelos séculos 19, 20 e 21 sem conhecer o telefone e a televisão. ''Televisão? Não tenho conhecimento disso não, nunca vi'', diz. Ela teve somente uma filha, que já morreu. Mas tem 9 netos e 11 bisnetos e hoje mora com o genro, José Antônio, de 86 anos.


