''Tô vendo muita coisa boa'', assinalou Quitéria Silva, que foi a primeira moradora do Jardim São Marcos. ''O meu foi o primeiro barraco do assentamento. Lembro que só foi chegar gente três, quatro meses depois que eu me mudei pra cá'', recordou.
Segundo a dona-de-casa, muitos chegavam com medo e desistiam de viver no assentamento. ''Eu falei pra mim mesma: Jesus me deu esse lugar e não vou sair daqui'', contou a moradora, que assistiu a chegada do primeiro telefone público no bairro, e também da água e da luz. ''Vivi aqui quatro anos e dois meses no escuro. Hoje é só alegria pra nós.''
Antes de mudar-se para o Jardim São Marcos, Quitéria vivia com o marido e a filha no Jardim Ideal (Zona Leste). ''A gente tinha uma casa boa, mas a panela ficava sempre vazia'', relembrou. ''Meu marido é pintor autônomo e nem sempre tinha trabalho para ele. Quase sempre não conseguíamos pagar o aluguel'', comentou a moradora, que inscreveu-se na Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld) em busca da casa própria e acabou ganhando o terreno no São Marcos.
Simone das Neves Silva, única filha de Quitéria, também resolveu criar os filhos João Felipe e Giovana no bairro. Para ela, a instalação da nova rede coletora de esgoto ''vai melhorar mais a vida de todos''. ''Só de pensar que não vai mais correr água suja para dentro de casa é uma alegria'', comemorou.
Em dia de chuva, Simone costuma colocar sacolinhas plásticas nos pés do filho mais velho para levá-lo, à pé, para a escola. ''Nem ambulância entra no bairro nesses dias'', assinalou a moradora, contente com a possibilidade do asfalto, em breve. ''A obra do esgoto tá bem atrasada. Disseram que ia ser entregue em abril, mas que as chuvas atrapalharam a conclusão'', declarou. (M.G.)

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