A reforma do 2º Distrito Policial de Londrina, interditado em setembro pelo juiz de Execuções Penais, Roberto do Valle, por superlotação e péssimas condições sanitárias, está em fase final. As readequações do sistema elétrico, hidráulico, telhado e entradas de ar já foram concluídas e resta agora pintar o prédio. Uma atividade que está sendo tocada pelos próprios detentos.
Os sete presos civis que estão presos no 2º DP os únicos cuja remoção não foi exigida pela Justiça resolveram um problema para a polícia. Segundo o delegado responsável pelo distrito, Fátimo Siqueira, o contrato de reforma com a empresa não previa a pintura. ''Estávamos procurando alguém quando eles pediram para fazer o trabalho'', diz.
Segundo um dos voluntários, o pedreiro Reginaldo Pires, 26 anos, preso há 50 dias por não ter pago pensão alimentícia, o grupo não está ganhando nada com o trabalho, nem dinheiro nem redução de pena, apenas a chance de não ficar restrito à cela. ''Lá é muito quente e aqui pelo menos a gente não fica parado sem fazer nada'', diz.
Ele e os outros presos civis (depositários infiéis ou detidos por não pagamento de pensão alimentícia), ficam em celas separadas dos demais e não chegaram a ver os piores momentos do distrito, quando mais de 200 presos dividiam o espaço de 68 pessoas. Ainda assim, ele acha que a obra não melhorou muito o prédio. ''Não reformaram muita coisa, não''. O pedreiro acredita que para pintar as duas alas serão necessários pelo menos 15 dias. Como ele sai na próxima terça-feira, nem vai chegar a ver tudo pronto.
Com a interdição do 2º DP, a Polícia Civil precisou reativar a carceragem do 5º DP e está reformando a do 3º DP, que passará a abrigar as mulheres do 4º DP, onde o juiz também exigiu melhorias. Segundo o delegado-chefe, Jurandir Gonçalves André, a reforma do 3º DP já terminou e a polícia aguarda uma autorização da Secretaria de Estado de Segurança Pública para liberar a carceragem e transferir as presas. ''Acreditamos que até sexta-feira tenhamos essa autorização'', diz.
Com a transferência das presas, o 4º DP vai passar a abrigar, junto com o 2º DP, os presos temporários, com acréscimo de novas 24 vagas. Já o 5º DP, onde cogitou-se abrigar apenas os presos civis, segundo André, será desativado após a liberação das outras carceragens.
''Temos que prover a economia das operações e não há razão para os gastos excessivos com transporte e pessoal'', diz, referindo-se à distância do 5º DP, localizado na Zona Norte. O delegado considera que o número de vagas será suficiente para abrigar os presos. A Casa de Custódia de Londrina (CCL), que passou a abrir exceções após a crise da superlotação do 2º DP, tinha ontem 431 presos, um excedente de 143 presos.

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