Curitiba

Marcelo AlmeidaJoás Realles, longe de Diogo: ‘‘Só quero ter meu filho de volta’’Com uma pilha de documentos nas mãos e uma história de dificuldades e contratempos, o pintor e pedreiro Joás Santos Realles tentará mais uma vez, hoje à tarde, reaver a guarda de seu filho. Há mais de dois anos, o menino Diogo Rodrigues, hoje com 7 anos, foi separado de seu pai no momento em que embarcava na rodoviária de Curitiba rumo a São Paulo. A viagem, que tinha como único objetivo reunir a família que vivia em Osasco, resultou na apreensão da criança e na separação forçada de pai e filho. As circunstâncias do afastamento, pouco comuns, serão novamente retomadas hoje pelo juiz responsável pelo caso.
O pintor recifense, que morava em Osasco há mais de 20 anos, relata com tristeza e revolta sua história. Com medo da violência da Grande São Paulo, Joás Realles conta que resolveu deixar a cidade para morar em Castro, no Paraná. Junto com a namorada e outro filho, o pintor deixou tudo que tinha para se instalar em um lugar que imaginava ser mais seguro. Meses depois, sua companheira resolveu voltar para São Paulo, levando seu outro filho.
Inconformado com a separação, e querendo reunir novamente a família, Realle tomou um ônibus em Castro e chegou a Curitiba, onde pegaria outro ônibus para São Paulo. Levava consigo o menino Diogo. Foi no momento do embarque em Curitiba que teve início o pesadelo do pintor. Sem documentos que comprovassem a paternidade da criança - na certidão de nascimento de Diogo consta apenas o nome da mãe, que não era casada legalmente com o pintor - Realle e seu filho foram impedidos de viajar.
Seguindo as recomendações dos funcionários do posto do Juizado de Menores instalado na rodoviária, o pintor tentou conseguir uma autorização que comprovasse sua responsabilidade sobre a criança. Foi até a Fundação de Ação Social (FAS), onde ele e o menino ficaram abrigados por dois dias. Muito nervoso, o pintor teve uma crise de choro. Foi levado para a enfermaria, recebeu uma injeção de calmantes, e quando acordou teve a notícia na qual até hoje custa a acreditar: Diogo tinha sido levado - sem sua autorização - para um educandário.
Sem explicações sobre o porquê da separação, o pintor começou sua via-crucis para reaver a guarda do filho. Levou dias para encontrar o educandário Munhoz da Rocha, onde estava Diogo. Depois disso, Realles já percorreu uma série de outras instituições para onde o menino foi levado, bateu na porta de vários advogados e promotores, foi a São Paulo e Brasília buscar documentos e pedir ajuda. No início deste ano chegou a fazer uma greve de fome em frente à prefeitura.
Hoje, o caso do pintor será novamente discutido na 1ª Vara da Infância e Adolescência. A alegação dos promotores é de que Realles não tem condições psiquiátricas de cuidar do menino, segundo as últimas avaliações médicas. Novos exames deverão ser feitos em breve. ‘‘Eu só quero ter meu filho de volta para construir um novo futuro’’, diz, emocionado, o incansável pai de Diogo.

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