Curitiba

Albari RosaReencontroJoás dos Santos Rodrigues, com o filho Diogo, de quem ficou afastado por dois anos: ‘‘O que a burocracia fez com esta criança foi um grande erro’’O drama vivido pelo pintor paulista Joás dos Santos Rodrigues, que nos últimos dois anos tentou reaver a guarda de seu filho, teve ontem um inesperado final feliz. Já sem esperanças de conseguir novamente viver junto ao menino Diogo Rodrigues - de sete anos, que foi retirado de seu poder quando embarcava na rodoviária de Curitiba, em novembro de 1995, por que ele tentava embarcar sem a certidão de nascimento do garoto -, o pintor foi surpreendido, ontem pela manhã, pela notícia de que havia recebido a guarda provisória do menino. A decisão foi tomada na sexta-feira pela juíza Carmen Lúcia da Almeida, da 1ª Vara da Infância e Adolescência. O Termo de Entrega da criança foi assinado ontem.
‘‘Já nem tenho mais lágrimas para poder chorar de alegria’’, comemorou Joás Rodrigues, abraçado ao pequeno Diogo, que estava sob responsabilidade de instituições de caridade. Desde que foi separado de seu filho, o pintor tentou de várias maneiras conseguir o apoio das autoridades e denunciar o pesadelo que estava vivendo. Sem dinheiro, sem casa e explicações convincentes sobre o porquê da separação, o pintor levou meses para poder provar a paternidade da criança. Agora, segurando a pilha de documentos que juntou durante estes dois anos, Joás Rodrigues mostra com alegria o sinal de identidade que possui em comum com o filho - ambos tem um defeito no dedo indicador da mão direita. ‘‘Agora ninguém mais duvida de nada’’, alegrou-se.
Pelo documento que estabelece a guarda provisória, o pintor terá que obedecer todas as recomendações da Justiça sobre o cuidado da criança. Ele deverá permitir que a criança receba, sempre que necessário, a visita de assistentes socias. Se o resultado destas visitas não for positivo - Joás Rodrigues chegou a ser acusado de ter problemas mentais que poderiam ameaçar a segurança de Diogo -, o termo de guarda provisória poderá ser revogado.
Feliz por poder novamente ouvir Diogo chamando-o de pai, o pintor faz planos de poder novamente reconstruir sua família em São Paulo. ‘‘O que a burocracia fez com esta criança foi um grande erro’’, afirma Joás Rodrigues.

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