Pintor é preso como autor de disparo
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segunda-feira, 07 de julho de 1997
Lúcio Horta Londrina 
A Polícia Civil de Cambé prendeu ontem o pintor de automóveis Divino Aparecido de Lima, 28 anos, também conhecido como Maringá. Ele é apontado como o autor do disparo que matou o russo Kusma Ovchinnikov e o filho dele, Sava, de dois anos e meio, no dia 26 de junho. Divino - que tem uma extensa ficha policial por furtos e roubos e diz residir em Maringá - foi preso por volta das 13h30, na favela Nossa Senhora da Paz (zona oeste de Londrina), em operação conjunta entre o grupo Águia da Polícia Militar e a Polícia Civil.
Com uma marca de tiro próximo ao joelho direito, Divino Aparecido confessou a participação no crime juntamente com Reis, ainda não identificado pela Polícia. Mas negou que tivesse atirado em Kusma. A mulher dele (do Kusma) tomou o revólver. Tentei segurar a arma e aí foi só tiro. Senti uma fisgada na perna e depois vi que o russo foi atingido, afirmou, sugerindo que foi a própria esposa de Kusma, Evdokia Ovchi, quem atirou acidentalmente contra o filho e o marido.
Segundo Divino, o objetivo do roubo era apenas ficar com o dinheiro de Kusma e em nenhum momento houve a intenção de utilizar os dois revólveres calibre 38 que cada um carregava. Reis e Evdokia seguiam nos bancos dianteiros do automóvel enquanto Maringá e Kusma (com Sava no colo) estavam no traseiro. A confusão começou, acrescenta, quando Reis - que ficou na direção do Corsa do russo - já estava diminuindo a velocidade para abandonar o casal e o filho e fugir com o dinheiro.
Divino diz que por duas vezes Evdokia puxou o freio de mão do carro. Na segunda, Kusma teria tentado tirar um negócio do bolso. Houve briga e, na confusão, a mulher teria tomado o revólver das mãos dele. Eu fiquei segurando a mão do russo com uma mão e a cabeça da mulher com outra, diz. Depois dos tiros, Divino disse que conseguiu tomar novamente a arma das mãos de Evdokia, abandonou o carro e fugiu a pé com Reis.
Segundo ele, o roubo foi organizado por Vanderlei Soares, conhecido como Vagalume, e Jairton da Silva Aleixo, que está preso em Cambé. Divino diz que a expectativa era de que houvesse US$ 20 mil em poder do russo, mas não soube precisar quanto na verdade foi roubado. O do bigode (Aleixo) ia ficar com 20%. Eu fiquei com 400 dólares. Sobre Reis, Divino disse que o conhecia porque cumpriu pena com ele na Prisão Provisória de Curitiba.
O delegado Nasser Salmen, que preside o inquérito, acredita que com a prisão de Divino a conclusão do inquérito sobre as mortes de Kusma e Sava está mais próxima. De grave aconteceu o latrocínio. Depois dele vamos trabalhar as peças menores do inquérito. A Polícia ainda está atrás de José Aparecido Ferreira, dono de um automóvel Passat, cor champanhe, que teria transportado Reis e Divino até um posto da avenida Tiradentes, onde estava a família de Kusma - essa versão é negada por Divino, que declarou que quem fez o transporte foi o próprio Aleixo. Vanderlei Soares, o Vagalume, já tem prisão preventiva decretada.
Além disso, a Polícia Civil investiga também outra denúncia, feita por Aleixo, de que inicialmente teria havido uma tentativa de aplicar o golpe do chute em Kusma. O golpe teria sido proposto a ele pelo motorista da Polícia Civil Jovacir Pereira Júnior, também dono do caminhão oferecido ao russo. Segundo declarou Aleixo, a intenção inicial era fechar o negócio com o russo - que renderia dois automóveis e mais US$ 20 mil. Depois disso, Jovacir apareceria como policial e tomaria o caminhão de volta, alegando alguma irregularidade. Mas os assaltantes teriam atravessado o golpe.
Salmen chegou a pedir a prisão preventiva de Jovacir, que foi negada pelo Ministério Público. O promotor está correto, ainda não existem elementos para justificar a prisão de Jovacir. Fiz isso (pedido de provisória) para honrar o bom nome da Polícia Civil, que está denegrido.
O delegado ainda deve ouvir no inquérito o investigador Luiz Cláudio Xavier, que trabalha na 10ª Subdivisão Policial em Londrina. Foi o investigador quem informou Aleixo sobre o caminhão de Jovacir. Esse foi um dos motivos que levou a Divisão de Polícia do Interior a solicitar a Salmen um relatório com as principais peças do inquérito que possam envolver policiais. Hoje, o Conselho da Polícia Civil no Paraná se reúne em Curitiba para analisar o documento.


