Milton DóriaVersãoLuciano Menezes, autor dos disparos: ‘Ele disse que ia matar eu, milha mulher e minha filha’O pintor Antônio Marcos dos Santos, 26 anos, morreu anteontem, por volta das 22 horas, com cinco tiros na cabeça. O crime aconteceu próximo ao jardim Santa Madalena (zona oeste), ao lado do Pool de Combustíveis, a poucos metros da casa da vítima. O autor dos disparos, Luciano Camargo Menezes, 22 anos, foi preso em flagrante ontem pela manhã e está detido no 3º Distrito Policial de Londrina.
O corpo de Antônio Marcos dos Santos será enterrado hoje, às 8 horas, no cemitério Jardim da Saudade, zona norte.
O delegado Jorge Barbosa, que cuida do caso, disse que não foi difícil chegar ao nome de Menezes: bastaram algumas entrevistas com vizinhos da vítima. ‘‘No começo ele negou que tivesse praticado o crime. Mas depois admitiu, quando eu ameacei fazer exame pericial’’, explica o delegado. A arma do crime, um revólver calibre 32, foi encontrado com um amigo de Menezes, Luiz Carlos Pereira da Silva.
Com muita tranquilidade e aparentando ser muito mais novo do que realmente é, Luciano Menezes disse ontem na delegacia que conhecia Antônio dos Santos há poucos meses e que foi até a zona oeste cobrar dívida de uma vizinha da vítima. ‘‘Já estava voltando para casa quando encontrei o Antônio na rua. Ele começou a me ameaçar e disse que ia matar eu, minha mulher e meu filho. Pedi para ele não fazer isso mas ele disse que eu ia morrer ali mesmo, naquela hora.’’
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Neste momento, contou Menezes, Antônio dos Santos teria puxado uma faca e partido para cima dele. ‘‘Aí eu atirei, mas ele levantou e disse de novo que ia me matar. Então eu dei mais quatro tiros.’’ Luciano Menezes afirmou que não tinha nenhuma desavença com a vítima. Era Santos, no entanto, quem ameaçava: a vítima teria mandado vários recados para ele - através de terceiros - dizendo que iria matá-lo. Além disso, a vítima foi acusada de atear fogo na casa de Menezes e roubar alguns aparelhos eletrônicos, há cerca de 15 dias.
‘‘Comecei a andar armado depois dessas ameaças’’, afirmou, lembrando que comprou a arma por R$ 150,00 há aproximadamente seis meses no próprio bar em que trabalha e mora com a mulher e a filha de quatro meses, na avenida Celso Garcia Cid. Menezes confirmou ainda que essa não é a primeira vez que se envolve em confusão: ele já foi acusado de tentativa de homicídio mas não chegou a ser preso.
Para o delegado Jorge Barbosa, a versão de Menezes é fantasiosa. ‘‘Não encontramos nenhum vestígio de faca no local do crime e esse negócio do incêndio ninguém tem prova. Até agora, o crime foi premeditado e por motivo fútil’’, explicou. ‘‘Também conversei com os vizinhos e ninguém falou nada sobre dívida.’’ Barbosa disse ainda que a arma apresentava sinais de sangue, o que pode significar que os tiros foram disparados à queima-roupa. Hoje o delegado deve voltar ao local do crime para novas entrevistas.
Antônio dos Santos começou anteontem à tarde um serviço de pintura na casa da prima dele, Irene Cavalcanti, que mora no jardim Ideal (zona leste). Por volta das 21 horas, ele saiu da casa da prima e pegou um ônibus de volta até a casa onde mora com os pais e um irmão. ‘‘Ele trabalhava como pedreiro, pintor, encanador. O que aparecia ele fazia’’, lembrou Maurício dos Santos, irmão mais velho da vítima e que identificou o corpo. ‘‘Eu o reconheci pela trena que ele carregava. O rosto estava deformado.’’
Segundo Maurício, o irmão não tinha inimigos. ‘‘Se tinha nunca comentou. Conselho, pelo menos, ele recebia bastante’’, disse, lembrando que a vítima era o caçula de cinco irmãos (quatro homens e uma mulher) e que os pais ficaram traumatizados com o crime. ‘‘A coisa mais triste do mundo é ver o sangue da gente correndo ali, no asfalto.’’

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