Pintor é espancado e morto em Londrina
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quarta-feira, 29 de agosto de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Às 11 horas do último sábado teve início a tragédia de uma família londrinense a qual culminou na morte do pintor Ricardo Cardoso, 29 anos, ao meio-dia de anteontem. Morador do Conjunto Vivi Xavier (Zona Norte), Cardoso foi defender o irmão, que estava apanhando de um grupo de rapazes do bairro, quando foi brutalmente espancado.
Conforme contou Ricardo Gomes, cunhado da vítima, o irmão mais novo de Cardoso, Valdecir, sofre de problemas mentais e é constantemente ridicularizado no bairro. ''No sábado de manhã, umas sete pessoas se juntaram e começaram a tirar sarro e atirar pedra no Valdecir quando o Ricardo chegou. Ele sentou perto do irmão para tentar conversar com os rapazes, mas levou um chute nas costas e caiu no chão. Daí para frente levou muitos chutes e também foi apedrejado'', detalhou Gomes.
Segundo a irmã da vítima, Isabel Cristina Gomes, Cardoso conseguiu se levantar e andar até a casa dele, onde tomou banho e se deitou na cama, ''todo inchado''. ''De repente ele começou a passar mal, chamou minha mãe e foi aí que chamamos o Siate e a polícia'', completou Isabel.
O pintor foi encaminhado ao Hospital Evangélico, onde permaneceu internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) até o meio-dia da última terça-feira, quando os médicos declararam morte encefálica. ''Se você visse a tomografia, metade do cérebro dele estava morto'', lamentou Isabel.
Cardoso morava com a esposa e a filha de nove anos na casa dos pais, que autorizaram a doação de órgãos do rapaz, como o globo ocular, a córnea, o fígado, os rins, as válvulas cardíacas e o coração. Ontem, o corpo de Cardoso foi velado na Acesf e sepultado, às 15 horas, no Cemitério São Pedro, Região Central da cidade.
Segundo Isabel, além de espancar Ricardo e ferir o braço de Valdecir com um pedra, o grupo também apedrejou o pai deles, Constantino Cardoso, na região da barriga. ''A polícia foi ao local, fez o boletim de ocorrência, mas até agora nada'', informou a irmã. ''Outro dia eles passaram na rua apontando para o meu sogro, rindo e dizendo que com eles era assim, que eles matam mesmo'', comentou Ricardo Gomes, que é marido de Isabel.
O delegado de Homicídios de Londrina, Joaquim Antônio de Melo, disse que como o crime foi uma lesão corporal seguida de morte, a investigação cabe ao 5º Distrito Policial, onde o boletim de ocorrência foi registrado. ''Mas já sabemos quem são os autores e vamos auxiliar o delegado do 5º DP a pegá-los o mais rápido possível'', garantiu.


