Pinhal Ralo passa por vistoria ambiental hoje
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de outubro de 1997
Edna Mendes 
Guarapuava
Uma equipe de técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) realiza hoje vistoria na fazenda Pinhal Ralo, em Rio Bonito do Iguaçu (125 km a oeste de Guarapuava), para verificar se os assentados estariam derrubando a área de preservação do local, que contém pinheiros e araucárias.
Segundo o superintendente do Ibama, Jonel Nazareno Iurk, há alguns dias uma equipe já teria sido deslocada até o local onde estaria acontecendo o desmatamento, mas o mau tempo teria atrapalhado a ação dos técnicos.
Segundo Iurk, desde que a fazenda foi desapropriada o Ibama não recebeu nenhuma solicitação de licenciamento ambiental. Há uma ilegalidade nesta desapropriação. Não foi feita autorização legal para uso da área. Teríamos que fazer uma análise do projeto de uso de toda a propriedade, para constatar o que seria destinado à agricultura e o que seria para preservação., comentou. Para ele, o desmate neste momento é ilegal.
Iurk diz que o documento que autoriza o início da ocupação na fazenda Pinhal Ralo ainda não saiu, porque o Incra não encaminhou o plano de ocupação da área, o que deveria ter acontecido no início do ano. Ele disse que assim que o Incra enviar os papéis, o licenciamento sai num prazo de 60 dias.
O diretor do IAP, José Antonio Andreghetto, disse que esta não é a primeira vez que o Incra acaba permitindo desmatamentos em áreas de preservação ambiental. Em dois anos, já autuamos o Incra cinco vezes, afirmou Andreghetto.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-terra (MST) divulgou nota dizendo que a denúncia quer incriminar o MST e que as clareiras existentes no acampamento são resultantes de uma área de taquaral que eles estão derrubando para iniciar o plantio das lavouras. A nota também diz que o Incra tem conhecimento da ação dos assentados.
Um dos líderes do MST na região, Osvaldo Venâncio da Silva, disse à Folha que a denúncia é mentirosa e que ela tem apenas o intuito de prejudicar o movimento. Silva também informou que os assentados estão mantendo intacta a área de cinco mil hectares que é destinada para preservação.
A governadora em exercício, Emília Belinati (PTB), determinou ontem que o IAP faça um levantamento sobre a dimensão da área desmatada para apurar quem são os responsáveis pelos fatos que estão ocorrendo na fazenda.
(Colaborou Carmem Murara, da sucursal de Curitiba)


