Israel Reinstein
De Curitiba
A morte do Rio Palmital, que cruza o município de Pinhais, está sendo causada pela demora na implantação da rede de esgoto. De acordo com o prefeito de Pinhais, Siegfried Boving, a Sanepar não tem condições ou não quer fazer sua parte na despoluição do rio, porque está demorando em implantar a coleta e tratamento de esgoto das residências. Hoje, os índices de poluição, levantados pela Sanepar, apontam que o rio atinge 150 mil coliformes fecais contra 4 mil, estabelecidos como limite pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar do alto grau de contaminação, Boving afirmou que vai lutar para manter o rio em funcionamento.
O prefeito disse que não quer matar o Rio Palmital. ‘‘A Sanepar já anunciou que pretende desviar o rio, mas a população quer ele ativo’’, advertiu. Um projeto da companhia de água prevê a construção, em parceria com a Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento (Suderhsa), de um canal (o Extravasor), que desviaria o leito do Palmital para fora da rede de captação de água.
‘‘O projeto prevê a construção de comportas que permitiriam a entrada das águas do Palmital, quando elas estiverem limpas’’, afirmou o gerente de produção da Sanepar, Agenor Zamperlon. O gerente disse que, a curto prazo, o desvio do rio diminui o impacto da poluição, provocada pelas ocupações próximas do Palmital. Um levantamento feito pela Suderhsa e Universidade Federal do Paraná (UFPR) aponta que 100% da poluição do rio é fruto do esgoto doméstico.
‘‘Mas 80% dessa região próxima já conta com esgoto’’, afirmou Zamperlon. No entanto, o prefeito questiona este números. ‘‘Podem ter sido feitas obras, mas não estamos sabendo, por isso os números são menores do que eles anunciam’’, disse Siegfried Boving. O prefeito propõe que a Sanepar sente com a população para não deixar o rio morrer. ‘‘Não adianta o município investir na melhoria ambiental, quando a Sanepar caminha na contramão da história. Precisamos encontrar uma solução conjunta’’.

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