Pinça é achada em barriga de mulher
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quinta-feira, 01 de outubro de 1998
Valmir Denardin 
A brasiguaia Sônia Neli da Rosa, de 24 anos, morreu na última terça-feira, na Santa Casa de Foz do Iguaçu. Três dias antes de sua morte, os médicos do hospital retiraram da barriga dela uma pinça de aço de 13 centímetros de comprimento, que teria sido deixada por médicos de um hospital da cidade paraguaia de Santa Rita (a 80 quilômetros da fronteira), onde ela foi atendida depois de receber uma facada na barriga.
Segundo o médico Newton Carlos Santos, presidente da Comissão Interventora da Santa Casa, apesar do tamanho da pinça, não foi esse instrumento que causou a morte da brasiguaia. Com a facada, o intestino grosso da paciente foi perfurado, houve vazamento de fezes para o abdômem dela, o que provocou uma infecção generalizada, informou.
Ney de SouzaRaio XRadiografia mostra pinça na barriga de brasiguaiaDe acordo com o médico, a facada que a mulher recebeu perfurou o rim direito, partes do fígado e do intestino grosso. Ela foi ferida no último sábado pela manhã. Segundo a Folha apurou, a brasiguaia era prostituta e foi agredida pelo dono da boate onde trabalhava. Brasiguaio é o nome dado a brasileiros que emigram para o Paraguai.
Ferida, Sônia foi levada a um hospital de Santa Rita, onde foi submetida a uma cirurgia de emergência. Os médicos retiraram o rim direito dela e costuraram a parte do fígado na área mais atingida pela facada, para estancar a hemorragia.
Como seu estado de saúde piorou, ela foi enviada à Santa Casa de Foz do Iguaçu, onde chegou às 14 horas de sábado. O médico Newton Santos disse que não foi possível saber o nome do hospital porque a paciente foi trazida por uma ambulância não-identificada, na qual, além dela, viajava apenas o motorista. O motorista praticamente a abandonou na porta do pronto-socorro, sem nenhum documento e com o rim extraído dentro de um vidro de conserva, relatou o médico.
Segundo ele, a mulher foi transportada em estado grave por 80 quilômetros, sem acompanhamento médico, soro ou qualquer outro medicamento. Sônia só foi identificada dias depois, por parentes que procuraram o hospital. Ao chegar à Santa Casa, a brasiguaia foi submetida a nova cirurgia de emergência, quando foi encontrada a pinça. Eles (os médicos paraguaios) devem ter esquecido o equipamento devido à pressa para concluir a cirurgia e transferi-la para um hospital mais equipado, disse Santos.
Na opinião do médico, os demais procedimentos médicos tomados no hospital paraguaio foram corretos. Segundo ele, a pinça não provocaria a morte da paciente, mas apenas dor, desconforto e um inchaço na barriga.
O coordenador administrativo da Comissão Interventora da Santa Casa, José da Matta e Souza, disse que vai encaminhar relatório do caso aos consulados do Brasil, em Ciudad del Este (Paraguai), e do Paraguai, em Foz do Iguaçu. O objetivo é apurar as responsabilidades pelo transporte da paciente e também o nome do hospital onde ela foi atendida. Há quatro hospitais em Santa Rita, um dos principais pólos de brasiguaios no Paraguai.


