Pílula para homem estará à venda este ano
Desenvolvido pelo laboratório brasileiro Hebron, o Nofertil foi feito a partir de uma substância extraída do caroço de algodão
Bioquímico paranaense
participou de
equipe que
desenvolveu pílula
Guilherme Pupo
A primeira pílula anticoncepcional masculina lançada no mundo deve ser comercializada até o final do ano nas farmácias brasileiras - e o seu desenvolvimento tem a participação de um paranaense.
O bioquímico Luiz Pianowski, de 41 anos, natural de Castro (a cerca de 150 quilômetros de Curitiba), trabalha no laboratório Hebron, em Caruaru (PE), que há dez anos desenvolve o produto e até agora investiu cerca de US$ 600 mil nas pesquisas.
O Nofertil é um comprimido de 10 miligramas, semelhante à versão para mulheres, e foi desenvolvido a partir de uma substância extraída do caroço de algodão.
‘‘Há alguns anos, alguns homens em uma região da China começaram a ficar inférteis. O fenômeno chamou a atenção de pesquisadores do mundo inteiro, que descobriram que os homens se alimentavam de bagaço de algodão, e iniciaram os estudos’’, conta Luiz Pianowski.
A pílula interrompe a produção de espermatozóides e deve ser tomada todos os dias (ao contrário das mulheres, que param de tomar durante a menstruação). O produto seria o primeiro anticoncepcional masculino oral - hoje, só há medicamentos injetáveis. Se o homem deixar de tomar, a produção de espermatozóides volta ao normal entre 30 e 50 dias depois.
O início da venda nas farmácias depende da liberação do Ministério da Saúde, e o preço ainda não foi definido. O laboratório já fez testes toxicológicos (in vitro), em animais, e em cerca de 500 homens de cinco países (incluindo o Brasil).
Segundo o bioquímico, o anticoncepcional teve 95% de êxito e não provocou nenhum efeito colateral nos homens pesquisados. ‘‘Tivemos relatos de dor de cabeça, mas descobrimos que a dor não estava associada ao produto’’, observa Luiz Pianowski.
Ele afirma que a aceitação da pílula tem sido boa em vários países - pesquisas informais na Inglaterra apontaram que entre 50% e 55% dos homens tomariam o anticoncepcional. Apesar disso, o pesquisador admite que a comercialização no Brasil poderá ser difícil. ‘‘A população já está muito habituada com a pílula para mulheres. É preciso haver uma mudança cultural’’, avalia.
Segundo ele, a vantagem do Nofertil em relação a pílulas anticoncepcionais para mulheres é que o medicamento não é hormonal e não provoca efeitos colaterais (nas mulheres, a pílula pode provocar alterações no peso e até alguns tipos de câncer).
A única contra-indicação, de acordo com os pesquisadores, seria para homens com problemas de infertilidade.

mockup