Rio de Janeiro- Cercados por uma rede de sigilo e proteção montada pelo Consulado Geral dos Estados Unidos no Rio e o hotel cinco estrelas JW Marriott, onde estão hospedados, os pilotos americanos Joseph Lepore e Jan Paul Paladino não saíram dos quartos nem para se alimentar no fim de semana. Desde sábado, os dois envolvidos no maior acidente da aviação brasileira estão com suas mulheres (Melissa Lepore, 33, e Ellen Paladino, 41), vindas de Nova York, EUA.
Os aviadores evitam aparecer em público, pois temem serem expostos e virarem alvo de hostilidade. Acreditam estar sendo pré-julgados pelas autoridades brasileiras e a mídia como culpados pelo acidente.
Lepore e Paladino estão no Rio desde segunda-feira, para prestar depoimentos e fazer exames na Força Aérea Brasileira. Por determinação da Justiça, seus passaportes foram apreendidos, o que os impede de deixar o país. No hospital, tiveram a ajuda do consulado e da própria FAB para sair sem serem vistos pela imprensa.
Oficialmente, os nomes de Lepore e Paladino não constam da lista de hóspedes do Marriott. Podem estar com nomes fictícios. Outra possibilidade é o sistema advertir os funcionários a não dar informações nem repassar ligações.
A reportagem hospedou-se ontem no hotel e obteve a confirmação de um funcionário de que os dois pilotos de fato estão lá. Ontem, a reportagem ouviu quatro negativas de empregados sobre a presença deles.
Legacy O desembargador João Mariosi, corregedor de Justiça do Distrito Federal, determinou na noite de sábado que o Legacy envolvido na queda do vôo 1907 da Gol permaneça no Brasil até o término das investigações sobre o acidente. O pedido foi feito por Bernardo Álvares da Silva Campos, marido de Patrícia de Sousa Moreira, morta na queda do Boeing.
Para Campos, a retenção do Legacy garante que os familiares das 154 pessoas mortas serão indenizados ainda que fique decidido que a culpa pela queda é da empresa norte-americana de táxi aéreo dona da aeronave, a ExcelAire. Ela não tem propriedades no Brasil.

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