Piloto se apresenta e culpa colega morto
Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
O piloto de barco Neri Carlos Lysik, 39 anos, sobrevivente do acidente nas Cataratas do Iguaçu em que morreram sete pessoas, se apresentou para depor à Polícia Civil de Foz do Iguaçu às 18 horas de ontem, três horas depois de ter a prisão temporária decretada pela Justiça.
O depoimento durou duas horas. Ao final, o piloto se recusou a dar entrevistas. Seu advogado, Bruno Migiliosi, disse que Lysik afirmou que o piloto do outro barco, Cândido Siqueira, 23 anos, morto no acidente, foi quem provocou a colisão. Siqueira teria desviado o barco da trajetória estabelecida, provocando o choque. Lysik afirmou também que tentou evitar o acidende, reduzido a aceleração do barco e jogando-o para a margem do rio.
A decretação da prisão temporária, válida por cinco dias, ocorreu porque Lysik não compareceu ao depoimento no horário marcado, às 14 horas. Os advogados da empresa negociaram com a polícia o depoimento, com a condição de que o mandado de prisão, decretado pelo juiz da 1ª Vara Criminal, Ruy Muggiati, fosse revogado. A Folha apurou que isso deveria ocorrer após o depoimento.
Além de Migiliosi, acompanhavam o depoimento outro advogado da empresa, Márcio de Souza; o promotor de Justiça Cândido Furtado; e o delegado Paulo Renato Caldas de Araújo, que comanda as investigações sobre o acidente.
Depois da decretação da prisão do piloto, o delegado, acompanhado de três policiais, apreendeu documentos na empresa Ilha do Sol Transporte e Navegação, dona dos barcos acidentados, que explora o passeio no Rio Iguaçu.
Foram apreendidos documentos dos barcos acidentados, dos dois pilotos envolvidos no acidente, os originais do contrato de concessão do serviço e o termo de responsabilidade civil, em que a empresa se compromete a seguir as normas da Marinha para o serviço. Os documentos deverão ser analisados a partir de hoje.
Lysik deverá participar hoje, a partir das 9 horas, da reconstituição do acidente.





