O piloto Roberto Wagner Fernandes, marido da professora Danyelle Bouças Fernandes, 27 anos, assassinada na madrugada de segunda-feira, prestou depoimento ontem à tarde e disse que acertou os tiros na mulher acidentalmente. Segundo ele, Danyelle entrou no quarto, onde estava deitado, com uma pistola calibre 380 nas mãos, ameaçando-o de morte. O pivô da briga seria uma prostituta, que teria tido um caso com o piloto. Esta é a tese defendida pelo advogado de defesa do acusado, Antonio Carlos Vianna.
O depoimento prestado ao delegado do 1º Distrito Policial, Antonio do Carmo, contém mais de 15 páginas e demorou cerca de três horas. Segundo o piloto, ele e a mulher entraram em luta corporal. Ontem, ele estava com uma atadura na cabeça e disse que não sabe como aconteceu o ferimento. O delegado Antonio do Carmo disse que ‘‘ainda’’ não pedirá a prisão preventiva do acusado.
Danyelle foi ferida mortalmente com dois tiros, apesar de a arma ter sido disparada seis vezes. Roberto Wagner diz que, após ferir a esposa, fugiu com a filha de cinco anos e pediu para sua mãe ir até o apartamento do casal atender a esposa.
A confusão teria começado depois de a professora ter recebido um telefonema de Solange Nunes Ramalho, 24 anos, exigindo dinheiro do piloto. Roberto Wagner confirma que fez um programa com a prostituta no motel Scort, no dia 27 de setembro e, a partir dessa data, Solange vinha telefonando ao casal exigindo R$ 200.
Solange confirma que realmente fez essas ligações, mas para outro motivo: cobrar o que gastou em hospital pela surra que levou de Roberto Wagner no dia do encontro. Ela procurou espontaneamente o delegado Antônio do Carmo, depois que soube pela imprensa do envolvimento do piloto na morte da esposa. Ela contou ter encontrado Roberto Wagner na rua Paraíba. Na sequência, passaram em um motel na avenida Dez de Dezembro (ela não recordou o nome), onde o piloto teria ‘‘cheirado uma carreira de cocaína e tomado uma garrafa de uísque’’.
Em seu depoimento na polícia, Solange disse que o parceiro queria um motel onde existisse hidromassagem e então foram para o Scort. Nesse motel ele teria cheirado mais cocaína e tomado mais uísque. ‘‘Completamente transtornado, Roberto começou a me agredir, como se quisesse me matar’’, afirmou Solange. Ela disse que conseguiu se safar, e depois foi até o Hospital Cristo Rei, em Ibiporã, onde foi atendida.
A defesa contesta o depoimento de Solange, dizendo ter sido ela quem agrediu Roberto Wagner, com uma garrafa quebrada porque queria que ele lhe pagasse R$ 300 reais em vez dos R$ 100, que já havia recebido pelo programa. A defesa também contesta que o piloto consuma cocaína.

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