Técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema) constataram ontem o despejo de mais de 1,5 mil pilhas alcalinas em um terreno em frente ao Centro Cultural Kaingang (Zona Sul de Londrina). Os detritos, altamente poluentes, podem ter sido descartados no local há uma semana e já atingiram o Ribeirão Cambezinho. A atitude constitui crime ambiental previsto em lei do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), e pode resultar em prisão e multa de até R$ 5 mil ao infrator.
A denúncia foi encaminhada à Sema por um vigia do IAP, que reside nas proximidades. Ontem pela manhã, o técnico José Tarcísio Ramos e o coordenador regional do Programa Desperdício Zero da Sema, Genivaldo Dias, estiveram no ribeirão com funcionários da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e da Sanepar para o recolhimento do material. Índios caingangue também auxiliaram na coleta.
''É possível que o descarte desse material tenha ocorrido na quarta-feira passada (dia 12)'', afirmou Ramos. O técnico do IAP acredita ainda que o descarte tenha sido realizado em um terreno e que as chuvas da semana passada tenham arrastado o material até as galerias pluviais, que desembocam no ribeirão. Foram retiradas 1,5 mil pilhas, mas, segundo Dias, a possibililidade de a quantidade ser bem maior é grande, pois as chuvas podem ter levado a maior parte do lixo.
Uma das hipóteses é de que o crime ambiental tenha sido praticado por algum comerciante ou empresa que trabalha com consertos de aparelhos eletroeletrônicos ou recolhe pilhas usadas. Por conterem componentes químicos como mercúrio, sódio e cádmio, as pilhas têm efeito altamente destrutivo no ambiente. A grande preocupação dos técnicos, que deverão monitorar o local, é que parte das pilhas possa ter sido levada para o lago do Parque Arthur Thomas, que é formado pelas águas do Cambezinho.
''Ainda não é possível estimar qual o impacto do despejo, mas com certeza ele foi grande'', frisou Ramos, que destaca ainda as dificuldades para descobrir o autor do crime. ''Os dois órgãos são responsáveis pelas investigações. Se pegássemos o criminoso em flagrante, ele poderia ser preso. Mas sem saber quem é, sequer podemos abrir um processo'', explicou Ramos.
O material recolhido ontem será armazenado com mais 100 quilos de pilhas encontradas em meio ao lixo reciclável recolhido pelas organizações não-governamentais que atuam na cidade. Até que seja enviado a Curitiba, o material está recolhido na sede da Central de Pesagem e Vendas (Cepeve), na Chácara São Miguel (Zona Sul sul).

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