Pilhas e baterias usadas: o que fazer com este lixo?
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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Luciano Augusto<BR>Reportagem Local 
As fotos feitas com a nova câmera digital ficaram maravilhosas... O telefone celular novo é de causar inveja... O carrinho motorizado agradou em cheio o netinho... Todo o final de ano é só alegria e as trocas de presentes tecnológicos se tornam cada vez mais comuns. O problema é que eles geram resíduos perigosos ao ambiente e ao homem que quase ninguém se atenta antes da compra: pilhas e baterias. Quando esses produtos perdem a capacidade de gerar energia, por lei devem ser devolvidos em qualquer estabelecimento que os comercialize. O problema é que nem sempre o consumidor encontra essa facilidade.
A pilha é uma espécie de mini-usina elétrica que usa geradores químicos para fornecer a energia que vai fazer funcionar equipamentos eletroeletrônicos. Já a bateria nada mais é do que um conjunto agrupado de pilhas. Para produzir eletricidade, as pilhas e baterias legais usam metais - cádmio, níquel, chumbo, mercúrio, zinco, lítio e mercúrio, este o mais perigoso deles -, em baixas concentrações. O problema maior fica com as pilhas importadas irregularmente, que têm alta concentração de mercúrio e são cada vez mais consumidas no país. A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica estima o consumo de 800 milhões de pilhas originais por ano enquanto o mercado informal injeta outros 400 milhões de unidades anuais. Ou seja, uma em cada duas pilhas comercializadas é pirata.
Essa profusão de pilhas ilegais em meio às legais representa um alto risco de contaminação do solo e da água, alerta o coordenador de resíduos sólidos da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Laerty Dudas. Pelas contas oficiais, a quantidade de mercúrio presente nas pilhas ilegais descartadas pode chegar 32 toneladas/ano. ''A pilha ilegal chega a ter 80 miligramas de mercúrio e pode vazar com muita facilidade'', completa o especialista. O problema torna-se grave quando se sabe que as pilhas piratas não são aceitas de volta por quem vende pilhas, como acontece com as originais (Lei Federal 6938, de 1981).
A mesma regra de descarte vale para as baterias, outro produto que teve seu consumo elevado (incluindo as versões piratas) com a popularização dos equipamentos eletrônicos portáteis. Com relação aos telefones celulares, por exemplo, o Brasil já atingiu a marca de 160 milhões de aparelhos e, conforme o vice-presidente da Sercomtel, Oscar Bordin, a estimativa do setor é que anualmente um terço desses celulares sejam descartados juntamente com suas baterias.
Da mesma forma que ocorre com as pilhas, nem todas as operadoras estimulam seus clientes a tomarem a atitude correta: devolver a bateria usada na loja. Em Londrina, a Sercomtel coleta há anos suas baterias usadas. ''Elas não podem ser descartadas no lixo comum porque têm elementos químicos metálicos potencialmente poluentes. Com as baterias do mercado paralelo, a preocupação é maior ainda porque elas trazem uma informação ao consumidor mas, na verdade, são fabricadas com outros tipos de materiais, de muito pior qualidade e muito mais perigosos'', adverte Bordin, lembrando que as ilegais estão ganhando espaço principalmente por causa do baixo preço.


