'Picolino' completa 80 anos de alegria
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sexta-feira, 31 de janeiro de 2003
Telma Elorza<br> Reportagem Local 
Poucas crianças, hoje, sabem quem é ele. É mais comum que os pais o reconheçam, e até peçam autógrafos. Para toda uma geração de paranaenses que foi apresentada à magia do circo pelas mãos de Ricardo Otelo Queirolo, o palhaço Picolino é uma figura que traz boas recordações. Pois Queirolo ou Picolino, como ainda gosta de ser chamado completou ontem 80 anos, com uma disposição de fazer inveja e muitos planos para o futuro. Um deles, o mais imediato, é comemorar o aniversário com a família hoje à noite, em um restaurante da cidade. ''Vem gente de Curitiba, São Paulo, Montevidéu, Buenos Aires. Vem Queirolada de tudo quanto é lugar'', diverte-se.
Em uma época em que fazer televisão era uma aventura e uma dor-de-cabeça intermináveis, Picolino cativou uma legião de pequenos fãs, que faziam de tudo para participar de seu programa, na extinta TV Tupi, canal 3, em Londrina. Muitos dos atuais médicos, advogados, políticos e empresários londrinenses chegaram a ''matar'' aulas só para conseguir assistir ao vivo o programa Circo Show Mercantil Castelo Branco, em 1964, onde nasceu o Picolino. Até então, ele era o palhaço Espoleta. ''O primeiro programa que fiz teve a participação do Circo Garcia, que estava na cidade e mandou dois números e dois elefantes para o palco. Imagine como foi difícil por os elefantes no estúdio'', lembra.
Filho e neto de artistas a família Queirolo tem mais de um século de tradição circense , ele fez sua primeira aparição no picadeiro aos sete anos, como partner da mãe Elvira, malabarista. Dois anos depois, fez a primeira atuação solo em acrobacia. A figura do palhaço veio mesmo em 1941, aos 18 anos. ''Ser palhaço é uma paixão. E, apesar da técnica poder ser ensinada, tem que ter vocação'', conta. Nenhum dos filhos ou netos de Picolino mostrou essa vocação mas isso não o entristece. ''Se eu tivesse percebido alguma, mesmo que pequena, teria incentivado'', afirma.
A ''descendência'' de Picolino na tradição circense ficou mesmo a cargo dos alunos que tem na Escola Circo Show Infantil, onde ensina a uma nova geração a arte de ser palhaço. ''Tive a felicidade de ter bons professores e uma vida inteira no circo. Agora estou tentando repassar isso aos meus alunos'', diz. E, segundo ele, há uma procura enorme para suas aulas. ''Em uma época onde dizem que o circo está morrendo, uma afirmação dessas parece mentira, mas é a pura verdade. Todo mundo gosta de ser palhaço'', afirma. Queirolo diz que nenhuma alegria e emoção superam a de ver uma criança sorrindo por sua causa: ''Uma vez fiz um show no Moringão e tinha mais de 17 mil crianças na platéia. Ainda bem que tenho coração forte''.


