Curitiba - A grande quantidade de paredes e muros pichados em Curitiba pode parecer uma boa oportunidade de trabalho para pintores. Mas não é, afirma o pintor de paredes Salvador Machado, que trabalha no ramo há 40 anos. ''Eles (os pichadores) usam uma tinta difícil de remover. Muitas vezes temos que dar até três demãos para apagar tudo'', conta. ''É um serviço caro e nem todo mundo paga por isso.''
Segundo o pintor, além do custo da mão-de-obra, que é alto (varia de R$ 3 a R$ 3,50 o metro), há também o gasto com a tinta, que pode chegar a R$ 180 o latão de 18 quilos. ''Este ano pintei um sobrado no Bacacheri que uma semana depois já estava todo pichado. Um prejuízo sem tamanho'', reclama.
Mas não é só Machado que se incomoda com a pichação. Na Prefeitura de Curitiba o gasto com a recuperação de bens públicos danificados por vândalos chega a R$ 2 milhões. ''É um valor suficiente para construir e equipar um posto de saúde completo'', contabiliza coronel Itamar dos Santos, secretário municipal de Defesa Social.
Esse total inclui gastos com todo tipo de vandalismo, desde a pichação até roubo de fios e quebra de banheiros públicos. ''Mas há também o prejuízo para a população, que fica sem o serviço enquanto a prefeitura faz os reparos'', aponta Santos. Só com pintura de imóveis públicos do município são gastos R$ 30 mil por mês, um total de R$ 360 mil por ano.
Crime e castigo
O episódio de Caroline Pivetta da Mota, que ficou presa por 50 dias por pichar as paredes do pavilhão onde acontecia a 28 edição da Bienal, em São Paulo, é uma exceção quando se trata de punição contra quem picha, diz o secretário. ''Ainda são poucos os que são presos. Em 2008 a Guarda Municipal de Curitiba deteve 142 pessoas acusadas de vandalismo'', diz.
A pichação é considerada vandalismo e crime ambiental e pode ser punida com detenção de três meses a um ano. ''Há também uma sanção administrativa aplicada pela prefeitura que resulta em multa de R$ 750 para o pichador e proibição de participar de concursos públicos por dois anos'', explica. ''No caso de quem é réu primário, em geral a Justiça acaba convertendo a pena em serviço comunitário. Mas para quem é preso pela segunda, terceira vez a pena já não é tão branda'', avisa Santos.
Segundo o secretário, 90% das pessoas detidas por pichação em Curitiba são menores de 18 anos. ''Nesse caso o pai do adolescente é quem acaba respondendo pelas sanções administrativas'', diz. O jovem preso pichando é encaminhado para a Delegacia do Adolescente onde assina um termo circunstanciado e é liberado. ''Ele responde ao processo judicial em liberdade'', explica.
Quem quiser denunciar a ação de pichadores pode ligar no telefone da Guarda Municipal de Curitiba: 153. ''Temos equipes dedicadas especialmente ao combate ao vandalismo'', diz o secretário.

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