Picadeiro da esperança
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sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Marcos Roman <br> Reportagem Local
São Paulo - Técnicas circenses têm ajudado a transformar a vida de milhares de crianças de um bairro carente de Toledo (Oeste). Integrantes do projeto Circo da Alegria estão aprendendo a andar na corda bamba para fugir da desigualdade social, fazer malabarismo para driblar as dificuldades, contorcionismo para enfrentar os desafios e a dar saltos mortais rumo a criar um futuro melhor. O picadeiro onde a inicitiva acontece há 19 anos ganhou projeção nacional ao ser um dos vendedores da 9 edição do prêmio Itaú-Unicef, realizado na terça-feira, no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo.
O Circo da Alegria concorreu com outros 2.291 projetos desenvolvidos em todo o Brasil e ganhou um prêmio de R$ 100 mil na categoria microporte. O evento deste ano teve como tema Educação Integral: Experiências que Transformam Vidas. O projeto de Toledo foi premiado pelas atividades que atualmente atende 190 crianças do Jardim Europa, além de outras 2,5 mil estudantes de municípios vizinhos da região - participantes do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti). ''Oferecemos aulas de malabarismo, contorcionismo, acrobacias aéreas, oficinas de palhaço, entre outras atividades'', explica a coordenadora do projeto Tânia Piazzetta.
O projeto é desenvolvido em parceria com a Escola Municipal Anita Garibaldi. ''Eu era professora da escola e com outros colegas participamos de uma oficina de circo. Decidimos então ensinar o que aprendemos às crianças; foi assim que surgiu a ONG Associação de Pais, Mestres e Funcionários da Escola Municipal Anita Garibaldi'', relata Tânia.
Os alunos da escola participam das atividades circensenses duas ou três vezes por semana no período de contraturno. ''Nosso objetivo é afastar as crianças do risco do envolvimento com o uso e o tráfico de drogas e com a prostituição que são comuns no bairro'', afirma Tânia.
Segundo ela, o maior desafio enfrentado pela ONG é a falta de espaço. ''Construimos um picadeiro ao lado da escola, mas dispomos de apenas 80 metros quadrados para os treinamentos. Por isso, somos obrigados a dividir os alunos em turmas, enquanto que o ideal seria que eles participassem das aulas do projeto todos os dias da semana'', explica. ''Após ouvir as reinvindicações dos alunos e seus pais, decidimos investir do dinheiro ganho no prêmio Itaú/Unicef na ampliação do picadeiro. Desta forma teremos condições de manter as crianças fora das ruas por um tempo maior.''
Tânia afirma que a visibilidade que o prêmio dá é muito mais valioso que o dinheiro. ''Várias instituições de outras cidades estão entrando em contato conosco para também implantar o circo em seus projetos'', argumenta a coordenadora.
* O jornalista viajou a convite da organização do prêmio.