PIC vai investigar fuga do 2º DP
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de maio de 2006
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
O inquérito instaurado para apurar falhas na segurança do 2º Distrito Policial (Zona Leste de Londrina), que permitiram a fuga de 15 detentos no último sábado, ficará a cargo da Promotoria de Investigações Criminais (PIC). O pedido foi feito pelo delegado-chefe da 10Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, Sérgio Luiz Barroso, que acredita ter havido negligência ou conivência de policiais no caso.
A fuga acabou com a expectativa de que as cinco celas modulares, instaladas há pouco mais de um mês, ajudassem a reforçar a segurança no distrito. No último sábado, às 4 horas da madrugada, presos serraram um quadrado de 25 centímetros na porta de um desses módulos. Um detento saiu pelo buraco e arrebentou os cadeados da própria cela e da vizinha, permitindo a fuga de 15 dos 25 colegas que estavam detidos. Segundo o delegado-chefe, a serra usada na ação teria sido passada por presos da carceragem convencional, com a ajuda de um varal de barbante.
O muro que irá separar as celas comuns das modulares começou a ser construído no dia anterior à fuga. Ontem, pedreiros que trabalhavam no local disseram que as chuvas atrapalharam e a obra deve demorar pelo menos cinco dias para ficar pronta. Mesmo assim, a polícia arriscou manter numa cela modular os 10 presos que não fugiram no sábado. O grupo reclamou das condições, ontem, quando a reportagem esteve no 2º DP.
''Tivemos a chance de escapar no sábado, mas ficamos. Agora estamos pagando castigo pelos que fugiram'', declararam. ''Estamos tomando banho de água gelada, não tem sol, nem rádio ou televisão, e a luz é ligada só quando eles querem'', acrescentaram.
Para quem não está preso, a impressão é de que as celas modulares são melhores que as convencionais, principalmente com relação à higiene. A polícia está utilizando esses espaços para abrigar presos com problemas disciplinares. Entre os que fugiram, havia acusados de furto, roubo, porte de armas, estelionato e homicídio. Até a tarde de ontem, nenhum havia sido recapturado.
Barroso afirmou que não crê na fragilidade da estrutura dessas celas, mas em falha humana. ''Não sei quanto tempo levaram para serrar a parede, mas não acho que tenha sido um trabalho fácil. O estranho é que ninguém tenha visto os presos passando as serras, ninguém tenha ouvido o barulho da porta sendo serrada ou dos cadeados sendo arrebentados. Eu quero acreditar que houve apenas negligência, mas não descarto a hipótese de conivência'', assinalou.
Na tentativa de dificultar a entrada de objetos utilizados em fugas, o delegado disse que está solicitando à Vara de Execuções Penais (VEP) a redução do número de visitas. Enquanto isso, o delegado da PIC, Alan Flore, irá presidir as investigações sobre as circunstâncias da última fuga. Flore adiantou que tem 30 dias para concluir o inquérito.
A reportagem procurou a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) para saber se a empresa responsável pela instalação das celas modulares irá fazer alguma adequação, mas não houve retorno até o fechamento da edição.


