PIC investiga denúncias contra prefeito
Maurício Borges
De Apucarana
Os promotores Paulo José Kesler e Domingos Tadeu Ribeiro da Fonseca, da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) de Curitiba, retornam na próxima semana a Apucarana para requerer novos documentos relacionados a supostas irregularidades na prefeitura. A investigação, que gerou 15 inquéritos na promotoria, foi desencadeada a partir de panfletos anônimos remetidos de Arapongas, Londrina e Ibiporã para moradores de Apucarana.
A denúncia havia sido encaminhada à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, através de um grupo de vereadores de oposição ao prefeito Carlos Scarpelini (PSDB). O pefelista Satio Kayukawa justificou que, apesar de as denúncias serem anônimas, é conveniente que o Ministério Público investigue a veracidade dos números citados em transações apontadas como irregulares.
De acordo com informações obtidas na PIC, já foram juntadas cópias de contratos e licitacões, comprovantes de pagamentos efetuados pela Prefeitura de Apucarana às empresas Preserva-Serviços de Segurança e Preservação de Imóveis, Flora Brasil Ltda e Urbasa Construtora e Urbanizadora S/A. Também estão sendo avaliados os recursos transferidos pela prefeitura ao Apucarana Futebol Clube nos últimos três anos.
De acordo com as denúncias do panfleto apócrifo, os valores que teriam sido destinados de forma irregular às três empresa e ao clube de futebol somam cerca de R$ 2,4 milhões. Com a Preserva, a prefeitura manteve, durante 1997 e 98, um contrato de terceirização para limpeza de praças e logradouros públicos em geral, no valor de R$ 900 mil. À Flora Brasil constam pagamentos de R$ 280 mil relacionados a serviços de jardinagem e plantio de grama. Em relação à Urbasa, estão sendo investigados pagamentos em torno de R$ 420 mil.
Ouvido ontem pela Folha, o prefeito Carlos Scarpelini manifestou-se tranquilo em relação aos inquéritos abertos pelo Ministério Público. Toda a contabilidade da prefeitura está e continuará à disposição dos promotores ou do Tribunal de Contas, disse. Nada tenho a esconder ou temer.
Segundo Scarpelini, as denúncias são armação política orquestrada por adversários com o objetivo de prejudicá-lo no período pré-eleitoral. Vamos provar com documentos que não existe nada de irregular, que tudo está licitado e com serviços e obras efetivamente realizados, afirmou.
Scarpelini disse lamentar que delegados de polícia sejam pressionados politicamente para abrir inquéritos sobre denúncias anônimas. Isso é um absurdo, a polícia deveria estar trabalhando para dar segurança à sociedade e não a serviço de prés-candidatos a prefeito, disse. O prefeito registrou queixa na Polícia Federal solicitando investigação sobre a autoria dos panfletos apócrifos.





