A Promotoria de Investigações Criminais (PIC) e as polícias Civil e Militar de Londrina realizaram ontem o maior contra-ataque à chamada ''indústria dos caça-níqueis'' na cidade. Com 63 mandados de busca e apreensão, os policiais apreenderam quase 200 máquinas de bingo eletrônico, 11 veículos, mais de R$ 60 mil em dinheiro e pelo menos seis armas de fogo. A ação gerou um prejuízo estimado à organização que explora o jogo de mais de R$ 600 mil. Minar financeiramente quem detém o controle operacional da contravenção é a tática da polícia para conter o avanço deste tipo de contravenção.
De acordo com o promotor da PIC, Cláudio Esteves, o cumprimento dos mandados teve início às 6h30 e todos os pontos tinham relação direta com uma empresa apontada como uma das maiores que exploram os bingos eletrônicos em Londrina e região. Os policiais apreenderam caça-níqueis, computadores, diversas caixas com documentos fiscais e contábeis, grandes somas em dinheiro e veículos usados na ''logística'' do negócio. Também foram apreendidas pelo menos seis armas. Uma pessoa foi presa em flagrante por porte ilegal, pagou fiança e foi liberada.
Em um barracão, localizado na Avenida Lucilio de Held, Jardim Coliseu (Zona Norte), que funcionava como uma marcenaria, pelo menos 31 máquinas de vídeo-bingo foram encontradas. Segundo o chefe do serviço reservado da PM, tenente Fábio Bonifácio Ferreira, as máquinas estavam escondidas no fundo do barracão, cobertas com lonas de plástico pretas. ''Foi encontrada apenas uma pessoa que alegou que as máquinas não seriam dele, mas não nos disse o nome do suposto proprietário'', destacou. Conforme a PIC, o local funcionava como oficina de manutenção da organização. Mais máquinas foram apreendidas na Avenida Higienópolis e em Ibiporã. Computadores também foram apreendidos em bingos disfarçados de ''lan houses''.
Especialistas do Instituto de Criminalística deram início ontem mesmo à perícia nas máquinas no depósito da Polícia Civil. O delegado da PIC, Alan Flore, comentou que os contraventores manipulam os mecanismos eletrônicos dos equipamentos para garantir margens de lucro enormes em detrimento do apostador. O delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Sérgio Barroso, citou que numa apreensão de 10 máquinas feita na semana passada foi encontrado um livro-caixa que dava uma idéia do lucro. ''Só em um dia, o lucro líquido foi de R$ 16 mil'', disse. Ele apontou que como as casas de bingo foram proibidas, quem explora o jogo passou a selecionar e convidar apostadores contumazes e, com isso, garantir o retorno financeiro.
Ao todo, dez ''funcionários'' da organização foram ouvidos pela PIC e assinaram termos circunstanciados de infração penal. A exploração de jogo de azar é enquadrada como contravenção penal, com penas de detenção que variam de três meses a um ano. O advogado criminal Gabriel Bertin de Almeida explicou que como este crime é rotulado como de menor potencial ofensivo - como aqueles com pena máxima de até dois anos - é julgado pelo Juizado Especial Criminal e a condenação, na grande maioria dos casos, é substituída por prestação de serviços à comunidade ou doação de cestas básicas, por exemplo.
Ante a ausência de punições mais rigorosas, Flore comentou que a estratégia de combate mais eficiente é minar financeiramente a organização através do sequestro de bens, de forma a dificultar sua reestruturação. Os veículos apreendidos - entre eles um Honda Civic, dois Corsas, uma pick-up e uma moto - poderão ter esse fim. Os bens imóveis também podem ser tomados dos proprietários se ficar comprovado que foram adquiridos com recursos ilícitos.
O homem apontado como o dono da empresa disse à FOLHA que ''não tinha nada a falar''. O advogado dele, Garibaldi Deliberador, não foi localizado. (Colaborou Fernanda Borges)

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