PIC denuncia policiais por extorsão
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sexta-feira, 20 de junho de 2003
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba O delegado Reinaldo Santos de Almeida e o investigador de polícia Celso Aguiar Rodrigues foram denunciados na última quarta-feira pela Promotoria de Investigação Criminal (PIC) órgão vinculado ao Ministério Público (MP) estadual por extorsão. Eles são acusados de cobrar dinheiro de um preso para facilitar sua fuga, deixar de instaurar inquérito e de cumprir mandado de prisão expedido pela Vara de Execuções Penais (VEP).
O caso teria acontecido em 5 de maio de 1994, quando Almeida e Rodrigues trabalhavam no Centro de Operações Policiais Especiais (Cope). Segundo a denúncia da PIC, eles teriam pedido 10 milhões de cruzeiros (moeda da época) ao preso Vicente Cordeiro dos Santos, que aceitou a proposta, mas pediu que o valor fosse parcelado.
No dia seguinte, Vicente dos Santos teria pago CR$ 2,5 milhões. O valor teria sido depositado numa conta bancária que teria Rodrigues como titular. Os dois policiais teriam deixado, então, que o rapaz fugisse.
Novo pagamento, dessa vez no valor de CR$ 100 mil, teria sido depositado na conta de Rodrigues dias depois da fuga. Vicente dos Santos foi preso em seguida e teria entregado os dois policiais.
Almeida, já aposentado, disse que respondeu processo disciplinar, que foi arquivado a pedido do corregedor-geral na época, Adauto Abreu de Oliveira, porque nada ficou comprovado. Ele alega que na ocasião em que teria acontecido o caso, estava a serviço fora de Curitiba. Disse, também, que só foi conhecer a suposta vítima de extorsão três anos depois do ocorrido e que a denúncia seria armação contra ele.
Rodrigues continua trabalhando no Cope, mas ontem estava de folga. Um outro investigador se propôs a tentar localizá-lo e passar o recado, mas até o fechamento desta edição não houve retorno.
De acordo com a assessoria de imprensa do MP, a denúncia protocolada na Central de Inquéritos foi feita com base em procedimento instaurado pela Corregedoria da Polícia Civil.
O corregedor-geral, Edson Pilatti, informou que o fato do delegado estar aposentado não o livra de responder, eventualmente, a um processo administrativo, que pode resultar, inclusive, na cassação de sua aposentadoria.
Este é o segundo caso da semana em que policiais civis são suspeitos de atos ilícitos. Na quarta-feira, o superintendente da Delegacia de Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, Paulo Roberto Mesquita, foi preso por suposto envolvimento com o tráfico de drogas.


