Curitiba – O delegado Reinaldo Santos de Almeida e o investigador de polícia Celso Aguiar Rodrigues foram denunciados na última quarta-feira pela Promotoria de Investigação Criminal (PIC) – órgão vinculado ao Ministério Público (MP) estadual – por extorsão. Eles são acusados de cobrar dinheiro de um preso para facilitar sua fuga, deixar de instaurar inquérito e de cumprir mandado de prisão expedido pela Vara de Execuções Penais (VEP).
  O caso teria acontecido em 5 de maio de 1994, quando Almeida e Rodrigues trabalhavam no Centro de Operações Policiais Especiais (Cope). Segundo a denúncia da PIC, eles teriam pedido 10 milhões de cruzeiros (moeda da época) ao preso Vicente Cordeiro dos Santos, que aceitou a proposta, mas pediu que o valor fosse parcelado.
No dia seguinte, Vicente dos Santos teria pago CR$ 2,5 milhões. O valor teria sido depositado numa conta bancária que teria Rodrigues como titular. Os dois policiais teriam deixado, então, que o rapaz fugisse.
  Novo pagamento, dessa vez no valor de CR$ 100 mil, teria sido depositado na conta de Rodrigues dias depois da fuga. Vicente dos Santos foi preso em seguida e teria entregado os dois policiais.
  Almeida, já aposentado, disse que respondeu processo disciplinar, que foi arquivado a pedido do corregedor-geral na época, Adauto Abreu de Oliveira, porque nada ficou comprovado. Ele alega que na ocasião em que teria acontecido o caso, estava a serviço fora de Curitiba. Disse, também, que só foi conhecer a suposta vítima de extorsão três anos depois do ocorrido e que a denúncia seria armação contra ele.
  Rodrigues continua trabalhando no Cope, mas ontem estava de folga. Um outro investigador se propôs a tentar localizá-lo e passar o recado, mas até o fechamento desta edição não houve retorno.
  De acordo com a assessoria de imprensa do MP, a denúncia protocolada na Central de Inquéritos foi feita com base em procedimento instaurado pela Corregedoria da Polícia Civil.
O corregedor-geral, Edson Pilatti, informou que o fato do delegado estar aposentado não o livra de responder, eventualmente, a um processo administrativo, que pode resultar, inclusive, na cassação de sua aposentadoria.
  Este é o segundo caso da semana em que policiais civis são suspeitos de atos ilícitos. Na quarta-feira, o superintendente da Delegacia de Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, Paulo Roberto Mesquita, foi preso por suposto envolvimento com o tráfico de drogas.

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