Piada leva semanário à Justiça
Os responsáveis pela publicação do jornal semanal Folha da Cidade, de Sarandi (7 km a leste de Maringá), vão responder a inquérito por suposto crime de racismo e preconceito racial. A decisão foi tomada ontem pela promotora Mônica Maciel Gonçalves. Ela decide hoje se envia o inquérito à delegacia para colher mais informações ou se o apresenta diretamente no Fórum de Sarandi.
O número 8 do semanário, com 12 páginas, especializado em comércio e indústria, traz uma sessão de humor. Uma das piadas diz que uma mulher negra abanava o filho no colo por causa do calor. Um bêbado que passava dizia: Abanar não adianta, tem mais é que tocar fogo.
O presidente da Associação de União e Consciência Negra de Maringá, Alaor Gregório de Oliveira, advogado e assessor jurídico da Câmara de Vereadores, entrou com ação pública na Promotoria de Sarandi pedindo a instauração de inquérito. Desta vez queremos que os responsáveis pela publicação sejam enquadrados na lei 8081/90, que considera crime induzir as pessoas ao racismo e ao preconceito de cor através dos meios de comunicação. Basta de retratações, disse Oliveira.
Oliveira afirmou ainda que a associação que preside está apoiando o movimento negro organizado do Brasil na proposta encaminhada à reforma do Código Penal. Na parte que trata das agravantes, o preconceito racial seria incluído. Por exemplo: quem assalta com arma à noite tem a pena agravada, que é considerada crime. Com o preconceito vai ser a mesma coisa. Só assim o preconceito poderá ser considerado crime. Por enquanto, é apenas injúria e isto não aceitamos mais.
Em 97, uma ação na Justiça impetrada pela associação de Maringá obrigou o governo do Estado a recolher e corrigir o texto de um livro didático dirigido a 4ª série do 1º grau, em que os negros eram humilhados.
Helena Becel, Maurílio de Jesus, Antônio Becel e Edinir Brilhador são os responsáveis pela publicação do jornal Folha da Cidade. No expediente não consta o nome do jornalista responsável. Helena disse à Folha: Erramos ao publicar esta piada. Tiramos de um livro de piadas. Não foi criação nossa. Não era nossa intenção machucar ou magoar os negros. Não somos racistas. Tenho um filho neguinho. Vamos nos retratar no próximo número, que já está na gráfica. Se as pessoas ficaram magoadas, por favor nos perdoem.Marcos NegriniAlaor de Oliveira, da União e Consciência Negra de MaringáMarccio W. Varella





