PIÁ adota aulas de karatê para melhorar comportamento infantil
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terça-feira, 14 de abril de 1998
Mônica Kaseker 
Crianças que brigavam nas ruas, tiravam notas baixas e até respondiam à professora estão melhorando o comportamento desde que começaram a fazer aulas de karatê nos Programas de Integração da Adolescência (PIÁs). As aulas começaram este ano em 50 unidades, mas devem ser implantadas em 100 PIÁs em todo o Paraná até o final do ano. Segundo treinadores e professores, os resultados já começaram a aparecer nas crianças envolvidas no projeto.
As crianças têm aulas de karate-do tradicional, que não é competitivo. A diferença é filosófica, pois se baseia no respeito, disciplina, humildade e obediência. Segundo o presidente da Federação Paranaense de Karatê Tradicional, Gilberto Gaertner, além da defesa pessoal, o karate melhora a saúde das crianças, mas também o desenvolvimento pessoal e psicológico. Auto-estima, concentração, persistência, socialização e controle da agressividade são os principais benefícios.
O resultado apareceu rápido nas primeiras oito unidades em que foi implantado o projeto, e a idéia está crescendo. A Federação trabalha em parceria com o governo do Estado, no programa Da Rua para a Escola, e com as prefeituras. A Federação capacita os treinadores, supervisiona e orienta. A secretaria estadual complementa com as informações sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e as prefeituras oferecem os locais e pagam o pessoal. O projeto chamou a atenção do Unicef, órgão da ONU voltado ao bem-estar da criança, e pode ser levado para outros Estados e até países.
Em Curitiba, duas unidades do PIÁ entraram no projeto. Exemplos não faltam. Leandro Gonçalves, 12 anos, começou as aulas há poucos meses, mas já sente os resultados. Ele admite que já apanhou na rua, costumava se atrasar para as aulas e era grosseiro com a professora. Agora estou mais educado. E sendo mais legal, as pessoas estão me tratando melhor também.
Fábio dos Santos Silva, 13, diz que está está mais obediente, bate na porta e pede licença quando chega atrasado e parou de gazear aula. As professoras não falam mais mal de mim e ficaram surpresas com a minha mudança, conta. Segundo ele, até as brigas com outros meninos diminuíram. Eu só aprendi a me defender, mas também aprendi que a gente não pode sair por aí arranjando encrenca. Fico na minha.
O professor Márcio Martins explica a diferença fundamental do karatê tradicional e por que ele traz tantos benefícios para as crianças: A idéia não é tentar ser melhor do que o outro, mas melhor do que si mesmo, dia após dia.


