PG usa carros alugados na coleta
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de fevereiro de 1997
Giovani Ferreira 
Correspondente
PONTA GROSSA - O problema da coleta de lixo em Ponta Grossa pode terminar na justiça. Desde que a empresa Vega Sopave deixou de recolher o lixo, em 27 de novembro do ano passado, descumprindo um contrato firmado com a administração anterior, a coleta vem sendo realizada por proprietários de caminhões de aluguel, contratados diretamente pela prefeitura municipal.
Como os caminhões são comuns, sem nenhuma estrutura específica para o coleta, além de não ser compactado, muito lixo acaba ficando espalhado pelo caminho. Um dos principais problemas está no aterro sanitário, onde o lixo vem se acumulando a céu aberto. Por não ser compactado, o volume do lixo se torna bem maior, dificultando o trabalho de aterro.
Com o aumento no volume do lixo, cresceu também o número de catadores que passam o dia revirando os resíduos depositados no aterro. A situação tem gerado inúmeras denúncias por parte da população e dos grupos ligados a movimentos ambientais da cidade. O secretário de Obras do município, Delmar Pimentel, desconhece o problema que está acontecendo no chamado lixão. Ele afirma que a falta de compactação do material se deve ao excesso de chuvas que dificultaram o trabalho de cobertura do lixo.
Ação cívelNa próxima semana o Grupo Ecológico dos Campos Gerais entra com uma ação cívil na Promotoria Pública, contra a prefeitura municipal. Segundo Aida Franco de Lima, presidente do grupo, a área do aterro sanitário que já estava comprometida, fica ainda mais problemática com o acúmulo do lixo a céu aberto. De acordo com Aida Lima, o lixo do aterro está contaminando o Rio Botuquara, um dos principais recantos naturais de Ponta Grossa.
Além do problema de acúmulo de lixo no aterro sanitário, a prefeitura terá que enfrentar outra batalha com a Vigilânica Sanitária, que deve começar a autuar o município e os proprietários dos caminhões por falta de segurança e de condições sanitárias na coleta do lixo. As pessoas que trabalham na coleta não utilizam nenhum equipamento de segurança como luvas, por exemplo, ficando altamente suscetíveis a contaminações durante o tempo de exposição ao material.
Darlene Blum, chefe da Vigilância Sanitária da 3º Regional de Saúde, disse que irá cobrar uma posição das partes envolvidas, exigindo condições sanitárias e de segurança para as pessoas que estão recolhendo o lixo. Se necessário a Vigilância Sanitária irá acionar a Promotoria Pública e o Ministério do Trabalho para que a lei seja cumprida, disse Darlene.


