A Polícia Federal (PF) vai investigar a Empresa Aruama Turismo, de Foz do Iguaçu, por suspeita de formação de quadrilha. A agência de turismo é a dona dos dois últimos ônibus apreendidos pela PF na região de Londrina sob suspeita de transporte ilegal de imigrantes. Na última ocorrência, registrada anteontem, 38 bolivianos foram detidos e o veículo apreendido por falta de documentação necessária para o transporte de passageiros. O ônibus com os bolivianos voltou ontem para Foz do Iguaçu, sob escolta de agentes da PF.
O primeiro incidente aconteceu em setembro do ano passado. Um ônibus com 50 passageiros a maioria bolivianos capotou na PR-444, próximo a Arapongas (37 km a Oeste de Londrina). Quatro pessoas morreram e todas as demais ficaram feridas. A maior parte das vítimas voltaram à Bolívia. Duas famílias estão hospedadas em entidades assistenciais de Arapongas, à espera da liberação de vistos de trabalho.
Na segunda ocorrência, na última segunda-feira, o ônibus com 45 passageiros que seguia de Foz do Iguaçu para São Paulo foi parado em uma blitz na PR-323, em Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina). A autorização apresentada pelo motorista do veículo, Gonçalino Antunes, era de outro ônibus, e nenhum dos 38 bolivianos apresentou os documentos necessários para entrar no País. A suspeita é de que, nos dois casos, os grupos viajariam à capital paulista em busca de emprego.
De acordo com o delegado da PF Homero Campello, a reincidência da empresa Aruama levou a polícia a iniciar investigações sobre a suspeita de que a empresa esteja envolvida em um esquema de busca de mão-de-obra ilegal em países vizinhos. ''Sabemos que muitos empresários chineses aliciam bolivianos e paraguaios para trabalhar em São Paulo. As investigações vão caminhar nesta direção'', afirmou, destacando a possibilidade de pedido de reforço na sede da PF em Brasília e na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
O advogado da Aruama, Paulo Roberto de Oliveira, negou a entrada irregular dos bolivianos no Brasil. ''A polícia nem sabia do acordo entre os dois países até o dia do acidente, no ano passado. Eu os avisei'', disse, em referência ao tratado bilateral de legalização de estrangeiros, que confere a autorização para imigrantes que apresentarem a carteira de identidade nos postos de fiscalização das fronteiras.
Oliveira também não admitiu que o ônibus estivesse sem autorização para o transporte de passageiros. Informado que a reportagem teve acesso ao documento expedido pela ANTT, contendo um número de placa diferente do registrado no veículo, ele argumentou: ''O motorista faz muitas viagens. Ele pode ter se confundido''.
O advogado afirmou ainda que já havia conseguido a liberação do ônibus para a continuidade da viagem até São Paulo. No entanto, a reportagem foi informada pelo delegado da PF que o veículo teria partido ontem, às 9 horas, de volta à fronteira, sob escolta policial.

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