PF vai aumentar efetivo na fronteira
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quinta-feira, 18 de dezembro de 1997
Valmir Denardin Foz do Iguaçu 
Ney de SouzaTríplice fronteiraOs ministros Íris Rezende, Carlos Corach e Miguel Angel Ramírez, reunidos ontem em Foz do Iguaçu Brasil, Argentina e Paraguai vão intensificar de imediato o policiamento e a fiscalização nas aduanas na fronteira entre os três países. A decisão foi tomada ontem, em Foz do Iguaçu, durante reunião entre o ministro da Justiça brasileiro, Íris Rezende, e os ministros do Interior da Argentina, Carlos Corach, e do Paraguai, Miguel Angel Ramírez.
Segundo Rezende, o efetivo da Polícia Federal que atua em Foz do Iguaçu deverá ser quintuplicado - dos atuais 16 policiais para cerca de 65. Argentina e Paraguai também se comprometeram a aumentar o efetivo de policiais nas outras duas áreas da tríplice fronteira.
De acordo com Rezende, além do reforço de pessoal na PF, a Polícia Rodoviária Federal também ajudará no trabalho. Ele anunciou ainda que pedirá ao governador Jaime Lerner (PFL) autorização para utilizar as polícias Civil e Militar do Estado no controle da fronteira.
O aumento no policiamento e no rigor da fiscalização nas aduanas são as medidas de curto prazo tomadas pelos três países para combater o avanço do crime organizado. Segundo estimativas da própria Polícia Federal, as atividades ilegais na região - principalmente o tráfico de drogas e armas, o contrabando e a lavagem de dinheiro - faturam cerca de US$ 30 milhões a cada dia útil.
Por ano, esse movimento chegaria a US$ 8,5 bilhões. As exportações brasileiras para os demais países do Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai) em 96 somaram menos do que isso: US$ 7,8 bilhões.
Além do reforço no policiamento e nas aduanas, os três países também deverão intensificar o controle do espaço aéreo na fronteira. Dezenas de aeroportos clandestinos são utilizados na região para o tráfico de drogas e armas e o contrabando. O controle aéreo é fundamental para a segurança, afirmou o ministro do Interior da Argentina, Carlos Corach. Foi uma crítica velada a Brasil e Paraguai, que têm atuações tímida nessa área.
Segundo o ministro Íris Rezende, o governo espera a aprovação nos próximos meses pelo Congresso de um projeto de lei do presidente Fernando Henrique Cardoso que permite à Força Aérea a derrubada de aviões que estiverem sobrevoando o território brasileiro clandestinamente.
Outra decisão tomada durante a reunião do Comando Tripartite de Segurança será a realização de encontros entre funcionários dos Bancos Centrais e das áreas de impostos e aduanas dos três países, para aperfeiçoar o controle do trânsito financeiro nas fronteiras com o objetivo de combater a lavagem de dinheiro.
As ações trinacionais de longo prazo contra o crime organizado começam a ser discutidas ainda em dezembro por uma comissão que abrange as áreas financeira e de segurança dos três países. Essa comissão vai elaborar um plano de ação abrangente para a região, que será apreciado pelos ministros do Comando Tripartite, em reunião marcada para 27 de março de 98, em Buenos Aires.
Entre as propostas que serão avaliadas por essa comissão está a adoção de uma carteira de trânsito (uma espécie de cartão magnético) exclusiva para os moradores da região, com o objetivo de dar um rápido deslocamento entre um país e outro. Essa medida, que possibilitaria um maior controle da circulação de pessoas, contemplaria uma das principais preocupações da Argentina: a suposta utilização da região por grupos terroristas islâmicos.
Além disso, serão avaliadas a implantação de equipamentos sofisticados para o controle da passagem de pessoas e mercadorias pelas aduanas e a construção de duas novas pontes sobre o Rio Paraná.


