Eles são conhecidos como os melhores amigos do homem, mas na guerra contra as drogas, se transformaram nos piores inimigos dos traficantes. São os cães farejadores, que em países como Inglaterra e Alemanha vêm sendo usados há mais de 40 anos pela polícia, mas que no Paraná só agora estão se tornando comuns nas ações de apreensão de tóxicos, nas rotas do tráfico de entorpecentes.
Somente no início deste ano, a Polícia Federal do Estado ganhou seu primeiro cão treinado para esse tipo de trabalho. Elza, uma cadela da raça Labrador e de apenas dois anos e meio de idade, tornou-se em pouco tempo a principal estrela da equipe de combate aos entorpecentes, dos policiais federais em Curitiba. Nos últimos três meses, ela ajudou a PF a efetuar a prisão de 16 traficantes e a localizar 68 quilos de maconha e 11,7 quilos de cocaína - quase 80 quilos.
‘‘Elza foi o cão responsável pelo maior número de apreensões nesse período em todo o Brasil’’, conta José Afonso Karpinski, adestrador do animal e único agente da PF do Paraná com curso de especialização em treinamento de cães.
Mesmo com esse alto índice de produtividade, Elza continua sendo uma trabalhadora solitária na briga da PF paranaense contra o tráfico de drogas. Ela é o único animal que a corporação possui para esse serviço em todo o Estado.
Por falta de recursos, a polícia não tem condições de ampliar a equipe de cães farejadores, colocando animais que seriam necessários para a fiscalização de regiões fronteiriças como Foz do Iguaçu, Guaíra ou no Norte do Estado, onde o volume de tráfico é grande. Há cerca de cinco meses, a PF paranaense também não pode enviar agentes para curso de adestramento de cães em Brasília por falta de dinheiro.
A escassez de recursos obriga a PF a guardar Elza em canil emprestado pela Aeronáutica, já que não possui local próprio para isso. Até a ração com que ela se alimenta vem de doações. Para compensar em parte a falta de companheiros de raça, Elza atua em várias frentes, participando de investigações, barreiras policiais, da fiscalização nos aeroportos Afonso Pena, Bacacheri e nos Correios.
Sua última proeza foi a apreensão, há duas semanas, de oito quilos de cocaína escondidos num compartimento dentro do tanque de gasolina de um Passat, quando dois traficantes do Mato Grosso do Sul se preparavam para repassar a droga que seria distribuída em Camboriú, litoral de Santa Catarina.

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