Os dois policiais civis de Foz do Iguaçu, Isaltino Zeni Santana e Mário Beraldo Neto, acusados de extorsão, foram indiciados ontem pelo delegado da Polícia Federal Alexandre Crenitte. A gravação feita pelo comerciante Eraldo Bezerra Cavalcante, que acusa os policiais, pode apontar o envolvimento dos policiais com o tráfico de drogas.
A Polícia Federal concluiu ontem à tarde o inquérito policial, mas vai continuar investigando a denúncia de extorsão. A conversa gravada confirma o envolvimento do delegado do 5º Distrito Policial, Paulo Renato Caldas. Porém, Crenitte não conseguiu provas para indiciá-lo.
Segundo Cavalcante, os policiais teriam colocado uma porção de maconha em seu carro e, em seguida, teriam lhe autuado em flagrante. Para liberá-lo, segundo a denúncia, os policiais teriam pedido R$ 20 mil.
Um flagrante armado pela Polícia Federal prendeu os dois agentes, que estão recolhidos numa cela especial da Cadeia Pública de Foz do Iguaçu.
Em um dos trechos da degravação da fita (cópia escrita da gravação), divulgado pelo delegado Crenitte, o comerciante pergunta se o delegado sabia da ‘‘transação’’ (a extorsão).
‘‘Claro que sabe! O doutor Paulo? Ele não sabe quem é você, mas sabe da transação’’, responde o policial Santana, segundo o delegado da Polícia Federal.
‘‘Cocaína pura’’ Em outro trecho da conversa, o comerciante e um dos policiais, que seria Santana, falam em drogas. O policial afirma que o dinheiro que Cavalcante estaria pagando a eles seria facilmente recuperado com o tráfico de ‘‘cocaína 90% pura’’, procedente de Pedro Juan Caballero, no Paraguai.
A fita ainda será enviada para Curitiba para perícia, com o objetivo de confirmar sua autenticidade.
Ontem, o juiz da 3ª Vara Criminal de Foz do Iguaçu, Marcelo Dalla Déa, negou o pedido de relaxamento de prisão dos policiais feito pelo advogado Luiz Eduardo de Souza, que defende Beraldo Neto e Santana.

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