A Polícia Federal iniciou ontem uma operação para combater a criminalidade na Ponte da Amizade, que liga o Brasil ao Paraguai, local onde ocorre uma média de dez assaltos por dia. Até o final da tarde, cerca de 200 pessoas já haviam sido detidas e levadas à delegacia do órgão, no centro de Foz do Iguaçu. Apenas hoje a PF deverá divulgar um balanço da operação.
O trabalho na ponte foi iniciado às 7 horas e tinha previsão de ser concluído às 19 horas. Quarenta agentes e três delegados se espalharam pelas duas passagens de pedestres no lado brasileiro da ponte. Eles abordavam pedestres, revistavam-nos e os obrigavam a mostrar documentos. Quem não estava com documentos era detido como suspeito.
Ney de SouzaChecagemAgente da Polícia Federal pede documentos e revista pedestre na passarela da Ponte da AmizadeOs detidos eram transportados em viaturas da PF até à delegacia do órgão. Ali, eles permaneciam sob a escolta de policiais. Todos eram fichados e fotografados para um possível reconhecimento em caso de futuros crimes na Ponte da Amizade. Os policiais checavam se havia algum mandado de prisão expedido contra os detidos. Quem não se encontrava nessa situação era liberado.
Segundo um agente informou à Folha, um grande número de pessoas foi autuado em flagrante durante a operação e houve também a apreensão de uma quantidade não revelada de maconha. A reportagem acompanhou a detenção de seis homens que estavam em um bar a cerca de 100 metros da ponte. O local estaria sendo usado como ‘‘tunguete’’ (para o jogo de cartas a dinheiro).
A Folha tentou localizar o delegado Fernando Braga, comandante da operação, mas ele não foi encontrado nem na delegacia e nem na Ponte da Amizade. Segundo o jornal apurou, a Polícia Federal deverá realizar novas operações no local, em datas ainda não definidas.
‘‘Não pegaram nenhum ladrão, só cigarreiros’’, disse a cigarreira Fátima de Barros Gobbi, de 36 anos, que, às 14h40, buscava informações na porta da delegacia da PF sobre seu sobrinho Jair de Barros, de 25 anos. Jair, que também é cigarreiro, havia sido detido às 7 horas. A operação da Polícia Federal conseguiu inibir ontem a atuação dos cigarreiros na ponte. Às 15h10 não havia nenhum no local.
Pela Ponte da Amizade transitam, em média, 30 mil pessoas e 18,5 mil veículos por dia. De acordo com estimativas da polícia, ocorre uma média de dez assaltos diários contra turistas e sacoleiros no local, mas apenas 20% das vítimas registram queixa. Sete forças policiais atuam na área - polícias Federal, Civil e Rodoviária Federal, do lado brasileiro e Polícia Nacional, Marinha, Polícia Rodoviária e Polícia Municipal de Ciudad del Este, do lado paraguaio.

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