A Polícia Federal (PF) de Londrina vai realizar hoje, em Santa Amélia (63 quilômetros ao sul de Cornélio Procópio), a reconstituição da ação da Polícia Militar, que no dia 23 de abril resultou na morte do índio guarani Vicente Cândido de Lima, 39 anos, da Reserva Laranjinha.

A reconstituição será comandada por uma equipe da PF de Londrina acompanhada de peritos da PF de Curitiba. O crime aconteceu numa plantação dentro da reserva indígena. A PF não soube informar se as pessoas que irão participar da reconstituição serão os índios da própria reserva ou se levaria pessoas de Londrina.

Vicente de Lima foi morto com dois tiros, um nas costas e outro na cabeça, durante uma ação de quatro PMs que tentavam resgatar o neto dele, Mateus Felipe da Sena, de cinco meses, que estava no colo do índio. A família de Lima acionou a PM reclamando que ele tinha saído de casa com a criança e que ameaçava matá-la. Testemunhas do crime desmentem essa versão e afirmaram à PF que o índio passeava com a criança pela reserva e ao ser surpreendido pela PM disse que entregaria a criança, desde que os policiais abaixassem as armas. O índio estava desarmado. Exames feitos no bebê pelo Instituto Médico-Legal de Bandeirantes não comprovaram que ele havia sido vítima de tentativa de estrangulamento.

O cabo Nilson dos Santos afirmou em depoimento para o delegado Pedro Paulo Figueiredo que atirou no índio porque a criança, que antes chorava muito, teria parado de chorar e ele imaginou que o índio tivesse estrangulado o bebê. No depoimento, os policiais disseram que não tinham conhecimento de que estavam dentro da reserva índigena, onde é proibida a entrada deles sem autorização da Funai, que tem poder de polícia.

a Polícia Federal decidiu fazer a reconstituição do crime por causa das diferentes versões para o caso. Na época do crime, a PF divulgou que houve despreparo dos PMs durante a ação e o policial Nilson dos Santos foi afastado do serviço externo. O Ministério Público Federal está acompanhando o caso. O procurador federal da Funai, Derli Cardoso Fiúza, foi designado para atuar na defesa do índio.

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