O delegado da Polícia Federal de Londrina, Alberto de Freitas Iegas, recebeu ontem pela manhã um dossiê do Sindicato dos Bancários de Londrina relatando assaltos nas agências bancárias da região e o que considera total falta de segurança desses locais. Segundo um dos membros da comissão formada pelo sindicato, Geraldo Fausto dos Santos, o documento vai subsidiar o trabalho de fiscalização da Polícia Federal nos bancos, para que cumpram as normas da lei federal 7.102/95, sobre segurança bancária.
O dossiê apresenta também um relatório com o número de assaltos a bancos, de bancários assaltados quando transportavam valores e outros tipos de ocorrências criminais.
No ano passado, o Sindicato computou 49 assaltos nas regiões de Londrina, Apucarana, Cornélio Procópio e Arapoti. Essas cidades compõem a região que está sob a jurisdição do Sindicato dos Bancários de Londrina. O relatório informa que somente este ano já foram computados 49 assaltos, inclusive com três mortes.
Geraldo Fausto dos Santos disse que na próxima quarta-feira o Sindicato vai apresentar um diagnóstico sobre a situação de segurança dos agências bancárias na região. Ele comentou que, nos primeiros levantamentos realizados pelo sindicato, já foi possível identificar as agências que menos oferecem segurança aos clientes e funcionários. ‘‘Tomamos como critério de avaliação as que mais sofreram assaltos, com seus clientes e funcionários expostos em situação de perigo.’’
As normas básicas de segurança bancária obrigam a agência a ter porta giratória, aparelho para detectar metais, circuito interno de televisão e no mínimo dois seguranças. Segundo a mesma legislação, os caixas automáticos 24 horas também devem estar equipados com circuitos internos de TV.
O delegado Alberto de Freitas Iegas disse que vai analisar os documentos que compõe o dossiê, como parâmetro para seu trabalho de fiscalização. Com base no dossiê, o delegado pretende saber se as agências já vistoridas pela Polícia Federal estão realmente obedecendo as normas de segurança previstas na lei. Iegas enfatizou que a exigência mais difícil de ser entendida e cumprida pelos bancos é o número mínimo de seguranças em cada agência. ‘‘A lei 7.102/95 não especifica o mínimo de pessoas que devem fazer a segurança nas agências. Isso cria problemas quando vamos fazer as exigências ideais para a segurança de cada local. Como a lei não determina nada nesse aspecto, estamos obrigando que cada turno de trabalho bancário seja coberto no mínimo por dois seguranças. Este efetivo deve aumentar conforme o tamanho da agência e a quantidade de portas de entradas do prédio’’, explicou o delegado.
A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) obteve liminar na Justiça contra a obrigatoriedade de realizar a segurança nos padrões determinados pela lei.
Na primeira abordagem junto aos bancos, a Polícia Federal faz notificação para que seja apresentado um plano de segurança para as agências. A segunda fase consiste na execução do plano, que deve ser aprovado pela Polícia Federal. Normalmente é dado um prazo de um mês para que o sistema de segurança seja implantado. Se o plano não ficar pronto no tempo previsto, o banco fica sujeito a multa que vai de R$ 1 mil até R$ 20 mil. Dependendo do caso, a Polícia Federal poderá interditar a agência infratora. O delegado Iegas disse que até agora tem somente aplicado multas de R$ 5 mil.
Os primeiros bancos multados por falta de segurança em Londrina foram o Banestado e o HSBC Bamerindus.

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