PF quer manter cães
para fiscalizar ponte
Polícia Federal realizou experiência em Foz do Iguaçu e conseguiu dobrar apreensão de cigarro trazido do Paraguai
Lúcio Flávio Moura
Especial para a Folha
Ney de SouzaTesteUso experimental de cães pela Polícia Federal, na Ponte da Amizade: resultado positivoA Polícia Federal (PF) pode contratar em caráter definitivo uma empresa de vigilância para inibir o contrabando de cigarros na Ponte da Amizade, que liga Foz do Iguaçu a Ciudad del Este (Paraguai). A medida está sendo estudada depois que uma experiência realizada no início de março - com uso de cães de guarda e farejadores na ponte - dobrou o número de apreensões de cigarros vindos do Paraguai.
A Delegacia de Foz do Iguaçu enviou um relatório à sede da PF em Brasília com informações detalhadas sobre os 15 dias de trabalho da empresa de vigilância que atuou em uma temporada experimental. Embora o conteúdo do relatório não possa ser revelado, uma fonte da PF disse à Folha que junto ao documento, foi enviada uma solicitação para que a presença dos cães fosse adotada definitivamente no esquema de segurança.
Ney de SouzaInútilSem fiscalização, o alambrado tem pouca utilidade no combate ao contrabando na fronteiraCães ajudaram
também na
apreensão de
armas e drogasNo período, foram utilizados 12 cães (pitbulls, rottweilers e dobermanns), que se revezavam em grupos de três. ‘‘Os laranjas (pessoas pagas pelos cigarreiros para cruzar a fronteira) não eram o único alvo. Os cães também eram adestrados contra tráfico de drogas e armas’’, lembra o agente da PF, José Wanderlei Simão.
‘‘O problema é o custo altíssimo para manter toda esta estrutura’’, diz o agente. De acordo com o Simão, a planilha de gastos da empresa inclui adestramento dos cães, treinamento específico para a qualificação dos vigilantes e, principalmente, a alimentação e cuidados no canil. Os cães também foram usados em julho e agosto do ano passado, nos dias de maior movimento na ponte.
‘‘O condomínio de patrocinadores que bancou as duas experiências desistiu momentaneamente por não estar contente com a empresa contratada, que apresentava alguns problemas burocráticos para atuar’’, diz o delegado Davi Makarauski. O delegado não soube dizer qual o teor destes problemas. Segundo o delegado, é possível que os patrocinadores sejam autorizados a procurar uma outra empresa, desde que idônea. ‘‘A PF apenas daria o aval’’, disse Makarauski.
A Folha apurou junto a fontes da PF que a Souza Cruz, maior exportadora brasileira de cigarros, comandaria o ‘‘pool’’ de patrocinadores. As mesmas fontes disseram que o depósito da Receita Federal está lotado e que o volume chegaria a 4 milhões de pacotes de cigarros apreendidos.

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