A Polícia Federal (PF) vai tentar comprar o prédio onde está instalada a sua sede de Londrina, na Rua Quintino Bocaiúva, 1.040 (centro). O delegado da PF, José Roberto Morel, informou ontem que, ‘‘em tese’’, a PF não pretende mudar para outra instalação. ‘‘O pedido já está na justiça, com base na avaliação do edifício feita pela União’’, disse. A União avaliou o imóvel em cerca de R$ 600 mil.
A PF está instalada no prédio da antiga indústria de refrigeração Brasifrio, desde 86. A polêmica entre a família Piaiê, herdeiros da empresa de refrigeração, e a Receita Federal - que tomou o prédio para saldar dívidas da empresa - vem se arrastando há 18 anos. De um lado, a família quer que a PF desocupe o prédio para vender o imóvel. Do outro, um processo na justiça vem garantindo a permanência da PF no local até que a pendência jurídica esteja resolvida definitivamente.
‘‘É desgastante’’, desabafa o delegado. A expectativa de composição com os Piaiê, é tão positiva que a PF não aceitou as ofertas de transferência do governo estadual.
O representante da família, João Durval Piaiê, afirmou ontem que tem interesse em vender o imóvel para a Polícia Federal. ‘‘Ficaria até contente de vender para eles porque entendo a importância do trabalho da PF e eles já estão instalados no imóvel. O que não quero é ver a situação prolongar-se por mais tempo’’, disse. João Piaiê explica que precisa dispor do imóvel o mais rápido possível para, com o dinheiro da venda, pagar outras dívidas da empresa que ainda estão pendentes.
A sede da empresa de refrigeração Brasifrio, foi ocupada pela PF, em comodato, cedida pela Receita Federal. O imóvel era parte do pagamento de dívidas tributárias da empresa com a Receita. A família Piaiê entrou na justiça para reaver os bens confiscados. Argumentou que o valor dos imóveis era maior que o da dívida. Em outubro de 94, o Tribunal Regional Federal deu ganho de causa para a família, devolvendo os bens, inclusive os 18 apartamentos do prédio onde funciona a PF.
O assessor jurídico da empresa, Marcelo de Lima Castro Diniz, explica que a justiça manteve apenas os dois salões de 1.600 metros quadrados onde está instalada a PF, como garantia do pagamento da dívida com a União. No dia 30 de junho passado, a família pagou a dívida com o fisco, calculada em R$ 156 mil. ‘‘Pagamos à vista. Com a dívida quitada o processo acaba. Não há mais porque discutir na justiça’’, afirma Piaiê.
O advogado da empresa entrou com uma petição na Justiça Federal, juntando cópias dos recibos do pagamento da dívida, pedindo a extinção do processo. O Juiz da 2ª Vara da Justiça Federal, Gilson Luiz Inácio, informou ontem que os documentos já foram encaminhados para o procurador da Fazenda Nacional em Londrina. ‘‘A Fazenda tem de confirmar que o pagamento foi feito e concordar com a extinção do processo’’, explicou. O Juiz acredita que o parecer do procurador deverá ser encaminhado o mais rapidamente possível. ‘‘A celeridade vai depender da sobrecarga de trabalhos da procuradoria da Fazenda em Londrina’’, frisou.Dorico da SilvaO representante da família Piaiê, João Durval, e Marcos DinizCélia Baroni

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