Londrina

Mário CésarJá eraAgentes da Polícia Federal jogam pacotes no forno de cerâmica em Ibiporã: drogas foram transportadas em duas caminhonetes da PF sob forte esquema de segurançaA Subdivisão Regional da Polícia Federal (PF), acompanhada por técnicos da 17ª Regional da Saúde Estadual, incinerou na manhã de ontem 902 quilos de maconha e 85 quilos de cocaína. A queima das drogas - apreendidas por agentes da PF em Londrina e região nos últimos 12 meses - foi feita nos fornos a lenha da Cerâmica Nossa Senhora da Aparecida, em Ibiporã (14 km a leste de Londrina).
Em poucos minutos, os produtos ilegais oriundos de 18 processos já julgados foram transformados em cinzas e fumaça. As autoridades garantem que a fumaça produzida pela queima das drogas - mais leve e clara que a de madeira - não causa prejuízos à saúde humana, até porque se espalha rapidamente com o vento ao sair pelas chaminés dos fornos, a mais de 30 metros de altura.
A incineração foi coordenada pelo delegado-chefe da PF em Londrina, José Roberto Morel, com auxílio do agente José Carlos de Carvalho, responsável pela guarda de produtos entorpecentes no depósito da polícia depois das apreensões. ‘‘Esta queima é uma operação rotineira, que acontece a cada ano. O principal objetivo é limpar o nosso depósito, que estava quase lotado. Agora, o nosso trabalho será enchê-lo de novo o mais rápido possível, com novas apreensões destas drogas que tantos males causam aos usuários’’, comentou Morel.
Os produtos tóxicos foram queimados na cerâmica particular, gratuitamente, porque o Estado não possui incinerador apropriado para esse tipo de operação. O proprietário da cerâmica, Cícero Negro, conta que executa este tipo de trabalho a pedido da PF há anos e com satisfação. ‘‘Não temos gastos adicionais com a queima, porque os fornos já estavam mesmo em funcionamento para a fabricação diária de tijolos e telhas. E tudo que pudermos fazer para evitar o consumo de drogas, faremos com prazer.’’
Segundo informações da PF, o grama de cocaína é vendido pelos traficantes em Londrina por cerca de R$ 15,00, enquanto que o grama de maconha custa em torno de R$ 3,00. As autoridades policiais não quiseram entrar em detalhes sobre o valor total do produto queimado, porque consideram que a divulgação das altas cifras resultantes podem levar ao aumento do interesse pelo tráfico. Os 987 quilos das drogas foram transportados para Ibiporã em duas caminhonetes da PF, sob um rígido esquema de segurança. O comboio contou ainda com alguns automóveis ocupados por policiais fortemente armados.
Toda a operação foi acompanhada e fiscalizada pela técnica em vigilância sanitária da 17ª Regional da Saúde, Edilamar de Andrade Rivas, porque legalmente as drogas deveriam estar sob a guarda da saúde pública. ‘‘De acordo com a lei em vigor, depois de cada apreensão os produtos tóxicos deveriam ser repassados para a vigilância sanitária, que seria responsável pelo destino deles. Isso não ocorre na prática porque não temos estrutura para o armazenamento e guarda deste material com segurança. Então, ele fica no depósito da PF. Estamos aqui para checar os dados de cada processo, as quantidades, as sentenças dos juízes, a incineração e pôr fim ao produto e aos processos.’’

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