A Polícia Federal de Londrina promete iniciar amanhã uma fiscalização rigorosa, principalmente contra os contrabandistas de cigarros que agem na cidade. O delegado do setor operacional, João Luis do Prado, começou ontem à tarde a ouvir seis vendedores ambulantes que foram denunciados por comercializarem cigarros de procedência paraguaia. ‘‘Vamos também querer saber se existe alguém trazendo por atacado os cigarros e usa pessoas humildes para vendê-los no varejo’’, disse.
Ele não descarta a hipótese de contrabandistas estarem usando até menores de idade para vender os produtos. Ele afirmou que devarão ser ouvidas mais 94 pessoas sobre contrabando de cigarros. Prado explicou que não existe meios de legalizar a entrada de cigarros procedentes do Paraguai pois, na maioria dos casos, são marcas brasileiras que saem do País sem pagar nenhum imposto, exclusivamente para fins de exportação. Recentemente, 18 sacoleiros foram presos por contrabando. Segundo o delegado, a grande maioria dos que vendiam cigarros contrabandeados passaram a comercializar outros produtos estrageiros, inclusive alho importado da Argentina.

Delegado da PF
diz que 90%
dos camelôs já
estão legalizados


Prado informou à Folha que 90% dos vendedores instalados no ‘camelódromo’ (na zona central) estão legalizados para venderem produtos estrageiros. A informação, segundo ele, partiu do presidente da Associação do Camelodrómo de Londrina, Jadir Sales. A maioria dos vendedores vão trabalhar com uma importadora de Cascavel, que compra os produtos no Paraguai. A pena para quem for autuado por contrabando é de 1 a 4 anos de reclusão.
Os cigarros com marcas brasileiras que retornam contrabandeados para o País estão também sendo questionados quanto a sua qualidade e origem. Há menos de duas semanas, o setor de vigilância da secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul denunciou ao Ministério da Saúde, em Brasília, que os cigarros eram falsificados e o fumo misturado com outros produtos com alto grau de toxidade. Eles seriam fabricados na China e embalados no Paraguai.

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