PF prende taxista que filmava suborno
FOZ DO IGUAÇU PF prende taxista que filmava suborno Taxista alega que colaborava com uma reportagem da Rede Globo e usava microcâmera para gravar tentativa de suborno Ney de SouzaÚLTIMA GERAÇÃOMicrocâmera semelhante a uma caneta estava conectada a um gravador Emerson Dias De Foz do Iguaçu Especial para Folha A Polícia Federal prendeu em flagrante o taxista José França, 36 anos, tentando registrar em microcâmera de vídeo uma tentativa de suborno a um funcionário do Ministério da Agricultura que trabalha na Ponte da Amizade, que liga Foz do Iguaçu a Ciudad del Este, no Paraguai, na tarde de anteontem. França e seu acompanhante, Marcelino Vaz, 39, disseram que estavam colaborando para uma reportagem de Roberto Cabrini, jornalista da Rede Globo de Televisão que estaria investigando possíveis irregularidades na aduana brasileira. França confundiu o fiscal com um policial federal que supostamente aceitaria uma pequena quantia em dinheiro para liberar os produtos que ele estaria levando no carro. A mercadoria teria sido comprada na cidade paraguaia e ultrapassado a cota máxima permitida aos turistas e sacoleiros, que é de US$ 150,00. De Foz do Iguaçu, o taxista seguiria para São Paulo, onde também passaria por agentes que já estariam acertados para liberar a mercadoria. A tentativa de suborno foi enquadrada como crime de corrupção e a pena varia de um a oito anos de prisão. Sendo preso em flagrante, o crime já está consumado. E se confirmarem todas as afirmações que estão no depoimento de França, o jornalista pode ser enquadrado como co-autor, disse Eudes Carneiro, delegado-chefe da Polícia Federal em Foz do Iguaçu. Roberto Cabrini confirmou ontem, por telefone, à Folha, estar ciente da prisão do taxista. O senhor José França é um homem honestíssimo e estava apenas colaborando para que uma reportagem nossa fosse realizada, disse. Cabrini admitiu que o equipamento pertence à equipe comandada por ele e disse que todo risco é válido para que denúncias sobre qualquer irregularidade cheguem ao público. Questionado sobre o teor da reportagem que estaria produzindo na fronteira, o jornalista não quis dar maiores detalhes e comentou apenas que vai, primeiro, tentar retirar o taxista da cadeia. O equipamento utilizado é uma microcâmera com aparência de uma caneta, conectada a um gravador digital que fica escondido dentro de uma bolsa. Na lateral do gravador foi encontrada uma etiqueta da Rede Globo.





