Edna Mendes
De Cornélio Procópio
A Polícia Federal de Londrina prendeu em flagrante, ontem à tarde, em Assaí (36 km a leste de Londrina), o chefe da Agência de Rendas, John Menon, e o tabelião Cédio César de Mello Junior, ambos acusados de corrupção passiva. Eles foram presos após receber propina para subavaliar imóveis em processo de inventário.
O caso foi denunciado à Polícia Federal pelo promotor Renato de Lima Castro. Os dois acusados teriam proposto a advogada Estrela Cueva Gallo, viúva de Hugo Cueva Gallo, R$ 1,3 mil para avaliar pela metade do valor os imóveis da família que constariam no processo de inventário. A advogada procurou a Promotoria para denunciar o caso. O imposto de transmissão por causa mortis é de 4% sobre o valor imóvel. Com a proposta de Menon e Mello, seria sonegada metade do imposto devido.
Ontem à tarde, a advogada teria ido até a Agência de Rendas entregar a metade da propina a Menon, que foi preso em seguida pela PF. Depois, ela foi para o Tabelionato de Notas entregar a outra metade ao tabelião, que também acabou preso. Os dois estão detidos na Delegacia de Polícia Civil de Assaí. O crime é afiançável, mas até o fechamento desta edição (20 horas) a fiança não havia sido arbitrada pela Justiça.
O depoimento dos dois acusados ao delegado da PF, Sandro Roberto Viana, demorou mais de três horas, ontem, na delegacia de Assaí. A Promotoria solicitou a intervenção da PF de Londrina no caso porque na Delegacia de Polícia Civil não existe estrutura de pessoal para diligências como a que resultou na prisão dos dois envolvidos. A Folha não pôde ouvir o delegado da PF, porque até às 20 horas o depoimento dos acusados não havia terminado.
De acordo com informações da Promotoria, o tabelião já vinha sendo investigado pelo Ministério Público há pelo menos um ano por falsificação de documentos e firmas. Contra ele existem cinco processos e um inquérito policial por esse tipo de crime. Em junho do ano passado, o Ministério Público pediu o afastamento dele da função. Porém, em outubro de 99 o corregedor de Justiça, Osires Fontoura, indeferiu o pedido e manteve Mello no cargo. Segundo informações extra-oficiais, outras pessoas estão sendo investigadas pela Justiça de Assaí por envolvimento no esquema de corrupção.

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