PF prende camelôs por contrabando
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sexta-feira, 10 de janeiro de 1997
Lucília Okamura 
Paulo WolfgangDetidosEntre os camelôs presos ontem pela PF estavam dois menores. O presidente da Associação dos Camelôs, Jadir Sales (foto da dir.) não critica a apreensão: Já havíamos falado para legalizarem a situação
Arquivo Folha/Dorico da Silva
Uma operação realizada em conjunto entre a Polícia Federal e a Receita Federal, ontem de manhã, resultou na apreensão de aproximadamente 10 mil maços de cigarros contrabandeados e na prisão em flagrante de 13 pessoas, inclusive dois menores. A operação foi desenvolvida na avenida São Paulo, perto do Terminal Urbano (área central).
O delegado-executivo da Polícia Federal, João Luiz do Prado, explica que os vendedores de cigarro foram enquadrados no artigo 334 do Cógido Penal, referente a contrabando. Na própria embalagem do produto está escrito que a venda é proibida no Brasil, observa. João Luiz do Prado explica que a operação foi tranquila e os vendedores ambulantes não resistiram à prisão.
O presidente da Associação dos Camelôs de Londrina, Jadir Sales, contesta a informação da PF e afirma que houve um grande tumulto e vários vendedores ambulantes tentaram fugir. Mas Jadir Sales não critica a apreensão. Já havíamos falados várias vezes para eles pararem de vender cigarros e legalizarem a situação.
Jadir Sales observa que algumas das pessoas detidas possuem barracas no camelódromo (localizado nas proximidades do Terminal Urbano), onde também comercializavam cigarros. Eles preferiram deixar as barracas e ir vender cigarros lá fora, mesmo sabendo que isso é ilegal, constata.
No camelódromo trabalham 94 vendedores ambulantes. Deste total, afirma Jadir Sales, mais de 70 já abriram firmas e outras estão em processo de regularização. Esta apreensão serviu de aviso para que todos os ambulantes regularizem a situação.
Ontem, Jadir Sales esteve na Polícia Federal durante o dia todo, acompanhando o caso. A situação é crítica porque eles não têm dinheiro nem para contratar um advogado nem para pagar fiança. João Luiz do Prado explica que as pessoas detidas foram encaminhadas para os 2º, 3º e 4º Distritos Policiais. Com exceção dos menores, elas ficarão detidas à disposição da Justiça Federal.
Já os produtos apreendidos foram encaminhados à Receita Federal. O delegado da Receita Federal de Londrina, Daniel Antônio Pelisson, observa que é dado um prazo de 30 dias para que os acusados apresentem a defesa. Se for comprovado que a mercadoria é contrabandeada, ela será destruída posteriormente.
Daniel Pelisson ressalta que outras operações semelhantes estão previstas e o procedimento é uma resposta à solicitação feita pela Procuradoria da República em Londrina. O objetivo das operações é coibir a comercialização de produtos ilegais.


