PF prende 18 pessoas por falsificação de dinheiro
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Marcela Rocha Mendes<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Dezoito pessoas foram presas em Curitiba, região metropolitana e no interior de São Paulo acusadas de integrarem uma quadrilha especializada em falsificação de dinheiro. Os prejuízos estimados aos cofres públicos chegam a R$ 3,5 milhões, segundo levantamento do Banco Central. De acordo com a Polícia Federal (PF) impressiona a perfeição das cédulas e a técnica avançada desenvolvida há cerca de dois anos no Paraná.
As investigações para a Operação Moeda Falsa começaram há cerca de um ano, quando foi verificado um aumento na circulação de cédulas de R$ 100 falsificadas na região da Capital. A PF identificou, durante os flagrantes, a participação frequente de cinco pessoas, depois reconhecidas como integrantes da quadrilha. A operação foi estourada ontem com 20 mandados de busca e apreensão e 18 mandados de prisão preventiva. Dezessete mebros foram presos na região de Curitiba, sendo um em flagrante, uma pessoa foi presa no interior de São Paulo e um suspeito está foragido. Um dos presos é um advogado de 27 anos.
De acordo com o delegado chefe do núcleo de crimes fazendários, Nilton Antunes, entre o material utilizado na fabricação das cédulas falsas, foi encontrado um software que traz o ''passo a passo'' para a produção tendo como base quatro cédulas de R$ 100 digitalizadas com números de série diferentes. No entanto, a técnica utilizada vai além da impressão da imagem, feita em impressoras simples que custam em torno de R$ 160 no mercado. ''O grupo começou a utilizar também serigrafia para reproduzir com perfeição as marcas d'água e ranhuras da cédula real o que torna a identificação da nota falsificada muito difícil''.
Antunes admite que apesar de trabalhar com dinheiro falso há bastante tempo, teria dificuldade em diferenciar as cédulas da quadrilha de uma real. Outras técnicas para verificar a veracidade do material também não funcionam, uma vez que eles conseguem simular as marcas apenas vistas em luz ultravioleta e ainda usam um verniz especial para ''enganar'' a caneta que detecta dinheiro falso. ''Elas têm uma pequena diferença na tonalidade e não têm todos os relevos da original'', aponta o perito da PF, Gustavo Otta.
Com base nos quatro números de série utilizados na impressão, o BC verificou a existência de 21,5 mil cédulas já aprendidas. Os prejuízos com a distribuição podem chegar a R$ 3,5 milhões, sendo cerca de 90% em Curitiba. O grupo repassava as notas pessoalmente no comércio ou as revendia por cerca de R$ 30. Outra ''fonte de renda'' da quadrilha era a comercialização do software e ainda o ensino do método de fabricação. A quadrilha se dividia em quatro núcleos no Paraná e a PF acredita que já deve ter repassado a técnica para pessoas em Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
O material aprendido passará por três perícias - de informática, documentoscópica e laboratorial. Os presos estão na carceragem da PF. Eles serão acusados de formação de quadrilha e falsificação de dinheiro, com pena de até 12 anos.


