PF organiza retirada de invasores de parque
PUBLICAÇÃO
domingo, 05 de outubro de 2003
Alexandre Palmar<br> Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu - A Delegacia da Polícia Federal de Foz do Iguaçu prepara a reintegração de posse da Estrada do Colono, caminho de 17,6 quilômetros que corta o Parque Nacional do Iguaçu, ligando as regiões Oeste e Sudoeste do Estado. A PF deve deslocar agentes de outras cidades do Paraná e de outros estados para a região com objetivo de retirar os moradores que reabriram ilegalmente o caminho na sexta-feira à noite.
A ação policial segue ordem da juíza Silva Regina Salau Prollo, da 1 Vara Federal de Foz, que acatou, no sábado à tarde, pedido de reintegração de posse feito pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A liminar determina que a PF coloque ''todo o efetivo necessário para a desocupação''. O reforço deve chegar entre terça-feira e quarta-feira.
A magistrada ordenou ainda que a Polícia Militar preste apoio a PF, que as polícias Rodoviária Estadual e Federal montem barreiras nas estradas de acesso ao Parque visando impedir a entrada de mais pessoas no local. E que o Exército e a Marinha prestem todo o apoio logístico para a ação.
Segundo a chefe da Procuradoria Federal Especializada do Ibama no Paraná, Andréa Vulcanis Macedo de Paiva, a invasão está causando ''grande degradação ambiental, contrariando, além das diversas ordens judiciais que determinam o fechamento da Estrada do Colono, todas as formas de proteção da reserva''.
O segundo dia da ocupação, ontem, foi marcado por chuvas durante o dia inteiro, dificultando a reabertura do caminho, fechado em 13 de junho de 2001 por ordem do Tribunal Regional Federal (TRF), da 4Região. O trajeto estava em fase de reflorestamento. No sábado, moradores ''limparam'' três quilômetros do percurso, sentido Serranópolis do Iguaçu (Oeste) a Capanema (Sudoeste).
O Parque do Iguaçu foi declarado Patrimônio Natural da Humanidade, pela Unesco, título que ganhou em 1986. Nele estão as famosas cataratas do Iguaçu.
''O ato constitui crime ambiental de enorme impacto negativo e viola a legislação federal'', segundo nota do ministério do Meio Ambiente. Preocupada com a gravidade do problema, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, manteve contato durante o sábado e o domingo com o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, da Defesa, José Viegas, e com o presidente do Ibama, Marcos Barros.
''É um absurdo'', disse Marina. ''Essas ações comprometem todo o esforço feito ao longo do ano.''
O secretário de Biodiversidade e Florestas, João Paulo Capobianco, classificou como ''gravíssima'' a situação. ''Foi uma operação de guerrilha, que certamente vem sendo preparada há bastante tempo'', disse. ''Não há negociação possível com os invasores'', afirmou. (Com Agência Estado)


