Ney de SouzaFiscalizaçãoOperação também tinha objetivo de identificar a presença de membros do grupo terrorista HezbollahEm uma semana de operações na Ponte da Amizade, fronteira entre Brasil e Paraguai, e em Foz do Iguaçu, a Polícia Federal deteve, até ontem à tarde, 483 estrangeiros. Desse total, 183 foram autuados e notificados a deixar o País em oito dias, e sete estrangeiros foram deportados.
A sequência de operações terminou ontem à noite. As blitz foram iniciadas na quinta-feira passada pelo diretor-geral da PF, Vicente Chelotti, com a finalidade de coibir a permanência de estrangeiros em situação ilegal, tráfico de drogas e armas, contrabando e identificar a possível permanência de integrantes do grupo terrorista islâmico Hezbollah.
A PF também fez comparações de endereços dos estrangeiros que vivem em Foz do Iguaçu. A polícia acredita que muitos fornecem endereços falsos com a intenção de obter documento permanente de estrangeiros. Boates e bares também foram fiscalizadas. Cerca de 100 policiais, 90 vindos de outros estados, trabalharam nas operações.
Anteontem à noite durante blitz na Ponte da Amizade, a PF apreendeu 13,4 quilos de maconha. A droga estava sendo transportada em uma bicicleta por Vilmar do Nascimento, 30 anos. Desde que começaram as operações a polícia recuperou carros roubados e 2,4 mil pacotes de cigarros contrabandeados, entre outras mercadorias. Amanhã deve ser divulgado o resultado oficial de todas as operações.
O Sindicato da Polícia Federal de Foz do Iguaçu contestou ontem, a maneira como as blitz foram realizadas na fronteira. Segundo o delegado do sindicato, Ronaldo Gonçalves Cunha, as atitudes adotadas por alguns policiais refletiram negativamente na comunidade local. ‘‘As pessoas aqui não estão acostumadas a esse tipo de fiscalização. Os estrangeiros, principalmente, entendem isso como uma atitude arbitrária. Esse tipo de operação afugenta os estrangeiros e incentiva a clandestinidade’’, afirmou.
Para o líder sindical, os recursos utilizados nas operações, entre gastos com estada e passagens aéreas dos policiais vindos de outros Estados, seriam melhor aproveitados se fossem investidos na infra-estrutura da polícia local. ‘‘A administração da PF deveria investir esse valor para reestruturar a polícia de Foz. O dinheiro poderia ser aplicado em treinamentos, viaturas e novas contratações’’, opina. Cunha garantiu que a entidade não é contra as operações, ‘‘mas contra a forma como elas vêm sendo desenvolvidas’’.
Segundo o superintendente da Polícia Federal do Paraná, Luis Glicério Ferrari, o custo da operação sequenciada foi de aproximadamente R$ 30 mil. ‘‘Com as autuações de estrangeiros arrecadamos cerca de 63,443 Ufirs (R$ 60.975,06), isso quer dizer que tivemos lucro. As verbas destinadas para as operações são exclusivamente para as operações e não há como revertê-las para outras coisas. Desconheço totalmente os comentários do sindicato. As operações são perfeitamente legais e são de obrigatoriedade da polícia. Além disso, não temos ligações com o sindicato’’, disse Ferrari.

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