Edna Mendes
Os chineses Chon Yong Chuan, 27 anos, e Li Lian Yuan, 53, detidos anteontem em Foz do Iguaçu acusados de ‘‘alugar’’ bebês para registrá-los como seus filhos com a finalidade de obter documentação brasileira, foram libertados no mesmo dia pela Polícia Federal. Junto com eles a polícia prendeu também as mães dos bebês, Rosa de Souza, 19 anos, e Elizabete Lourenço, 24, Romancito Marafão, 22 - que seria o mentor do negócio -, e Clorivaldo de Souza, irmão de Rosa. Todos foram libertados.
O grupo foi preso no Terminal de Transporte Urbano (TTU) quando acertava os últimos detalhes da negociação. A Polícia Militar chegou até eles depois de uma denúncia anônima pelo telefone 190. Cada bebê seria ‘‘alugado’’ por R$ 1,7 mil. Com o registro dos bebês, os dois chineses poderiam conseguir identidade definitiva para permanecer no País.
Os chineses negaram envolvimento com a história. Eles têm negócios em Ciudad del Este, no Paraguai, mas moram em Foz do Iguaçu. Yuan não tem visto de entrada no País e a PF acredita que ele entrou no Brasil através do Paraguai. Yuan foi autuado e tem 30 dias para regularizar a situação, caso contrário será deportado. Chuan, que é filho de Yuan, está com o visto de permanência dentro do prazo normal.
A Polícia Federal vem realizando constantes blitze na fronteira com o Paraguai para coibir a permanência ilegal de estrangeiros no Brasil. A PF calcula que existem de 8 mil a 10 mil estrangeiros vivendo de maneira irregular na fronteira. Vários estrangeiros já foram deportados.
O delegado da Polícia Federal, Sérgio Henrique dos Santos Matheus, disse que os chineses não ficaram presos porque não ficou configurada a tentativa de crime. ‘‘Havia apenas as negociações, mas eles ainda não tinham ido ao cartório para fazer o registro, o que iria configurar a tentativa’’, afirmou.
A Polícia Civil informou que foi aberto inquérito policial para apurar o caso e que todos os envolvidos foram indiciados.

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