A Polícia Federal de Paranaguá está investigando a possível conivência do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na retirada e comercialização ilegal de palmito da Fazenda Bom Jesus, em Antonina (Litoral do Estado), que pertence ao instituto. Segundo a polícia, cerca de 30 mil unidades de palmito já foram extraídos da propriedade desde setembro do ano passado. A suspeita surgiu após a prisão de dez pessoas e apreensão de cerca de 500 unidades do produto. A fazenda Bom Jesus é área de preservação e a retirada de espécies do local é proibida por lei.
Hélio Farias Ramos e Nelson Waidmann Filho, acusados de envolvimento no crime, tiveram prisão preventiva decretada há quinze dias e foram liberados ontem. Ambos teriam ligações com a empresa Tropical Alimentos, também de Antonina, que estaria vendendo o produto roubado. Depoimentos de Filho e Ramos teriam levado a Polícia a apreender notas fiscais frias e outros documentos comprovando que a empresa Tropical comercializava o produto.
Na empresa, também foram encontrados selos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) autorizando retirada do palmito. O delegado da PF de Paranaguá, Ronaldo Pianowski de Moraes, explica que os selos só são emitidos com autorização do Ibama. Ele revelou que as autorizações encontradas eram referentes à retirada do produto de uma fazenda localizada em Guaraqueçaba.
Segundo o delegado, é provável que os envolvidos utilizassem autorização para retirada do produto em Guaraqueçaba para extrair o palmito da fazenda do Ibama, já que a propriedade do instituto fica no trajeto entre a empresa Tropical e Guaraqueçaba. ‘‘Mas por enquanto não podemos comprovar nada’’, salientou o delegado.
O superintendente do Ibama no Paraná, Luis Antonio Melo, disse que nunca emitiu autorização para retirada de palmito na fazenda Bom Jesus. ‘‘Estão querendo me incriminar’’, suspeitou. Ontem, todos as pessoas que tiveram prisão decretada pela Polícia Federal, acusados de envolvimento no crime, já tinham conseguido habeas corpus e sido liberados. Mas o delegado informou que a polícia vai continuar investigando o caso. Dois inquéritos foram abertos, um para investigar a retirada ilegal do palmito e outro para averiguar a comercialização do produto roubado.

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