Uma quadrilha formada por contabilistas e técnicos, especializada na concessão fraudulenta de benefícios previdenciários como aposentadorias, foi identificada ontem pela Polícia Federal (PF) em Londrina e em outras seis cidades do Paraná. Os agentes envolvidos na Operação Caduceu cumpriram mandados de busca e apreensão em escritórios e recolheram documentos, carteiras de trabalho falsificadas e computadores. O prejuízo aos cofres públicos confirmado até agora é de R$ 7 milhões.
A fraude consistia em falsificar a documentação usada para requerer a aposentadoria. O ''trabalho'' custava de R$ 10 mil a R$ 13 mil e era usado, por exemplo, por pessoas que queriam aumentar indevidamente o tempo de serviço. De acordo com a PF, 160 casos foram confirmados e outros 900 estão sob suspeita e serão investigados.
O material recolhido será levado para Curitiba, onde será analisado por profissionais do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e da PF. O delegado Wagner Santana da Veiga, da Delegacia de Prevenção e Repressão a Crimes Previdenciários, explicou que uma das formas de ação era o uso de documentos falsos e do número do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de empresas para informar os dados do pedido de aposentadoria no Guia de Informações da Previdência Social e Recolhimento de Fundo de Garantia (GFIP). Os fraudadores usavam tanto empresas desativadas quanto ativas, sem conhecimento dos proprietários.
''A pessoa chegava com o caso dela na quadrilha e os fraudadores definiam a melhor forma de aplicar o golpe. Por exemplo, aumentar o tempo de serviço para que a pessoa pudesse requerer o benefício'', explicou Veiga.
Um erro básico dos fraudadores, no entanto, levou a PF a descobrir o golpe. ''A quadrilha usou o CNPJ de uma empresa de confecções, onde só trabalham mulheres, para aposentar um homem'', revelou Veiga. Segundo ele, até o momento nada indica possível envolvimento de funcionários do INSS ou dos donos das empresas ativas usadas pelos fraudadores.
As investigações da Operação Caduceu, que é o símbolo da contabilidade, começaram há mais de um ano, mas a polícia acredita que o golpe estava sendo aplicado há ainda mais tempo. O cumprimento dos 19 mandados começou às 7 horas de forma simultânea em Londrina, Curitiba, Foz do Iguaçu, Paranavaí, Ivaiporã, Lunardeli e Jardim Alegre. Envolveu 77 policiais federais e 12 auditores da Receita Federal.
Doze contabilistas ou técnicos em contabilidade estão envolvidos. Até agora, porém, nenhum pedido de prisão foi expedido. Tanto os fraudadores quanto as pessoas que procuraram os golpistas poderão responder pelos crimes de estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica e falsificação de documentos.
De acordo com a representante do INSS, Marinalva Rodrigues, ''a fraude era feita com os fraudadores inserindo os dados no GFIP, que é um sistema criado para facilitar o acesso do trabalhador aos benefícios sociais.'' A reportagem tentou entrar em contato com o advogado dos contabilistas, mas não obteve retorno até o fechamento da edição.

mockup