PF investiga ex-secretário de Foz
CRIME ELEITORAL
PF investiga ex-secretário de Foz
Ney de SouzaVeículos utilizados por Adilson Rabelo para supostamente transportar eleitores; procurador diz que denúncias são graves e podem prejudicar candidatura
De Foz do Iguaçu
O secretário do Meio Ambiente em Foz do Iguaçu, Adilson Rabelo, está sendo investigado pela Polícia Federal acusado de aliciamento eleitoral e abuso de poder econômico. Rabelo deixou o cargo na última sexta-feira para concorrer às eleições, mas sua candidatura corre risco de ser impugnada, caso as denúncias sejam comprovadas.
Ele é acusado de patrocinar festas de formatura para alunos do 2º grau e de transportar eleitores até o fórum. Em troca, os favorecidos teriam que repassar ao ex-secretário uma lista com os nomes e números dos seus títulos eleitorais. Segundo informações recebidas pela União Municipal Estudantil de Foz do Iguaçu (UMEFI), através do disque-denúncia (523-3747), assessores do ex-secretário estariam oferecendo dinheiro a algumas turmas de formandos na tentativa de comprar votos.
Além destas acusações, estamos reunindo provas para apresentar os casos a órgãos competentes que possam investigá-los e tomar as devidas providências. Não podemos admitir esta prática ilegal, mas muito comum em anos de eleições, disse Fernanda Fernandes, presidente da entidade.
O promotor eleitoral Luiz Francisco Marchioratto, responsável pelo recolhimento das primeiras denúncias, garante que as acusações são graves e podem realmente prejudicar a possível candidatura de Rabelo. A Polícia Federal deve começar a ouvir as testemunhas, apurar as acusações e inclusive fazer um levantamento dos bens que estão em nome de Adilson Rabelo, para verificar possíveis irregularidades durante o período em que esteve à frente da Secretaria de Meio Ambiente, explicou.
Outra acusação é que ele já estaria em campanha. Conforme prevê a Justiça Eleitoral, os candidatos só poderiam promover ações deste tipo três meses antes das eleições. Uma frota de veículos composta por dois ônibus, um microônibus e oito Kombis estampados com o nome do candidato são vistos frequentemente circulando pelas ruas da cidade. Equipes de cabos eleitorais também estariam distribuindo brindes com o nome de Rabelo em camisetas e bonés.
O delegado da Polícia Federal, Cleiton Xavier, deve concluir o inquérito policial em 30 dias. A reportagem da Folha tentou contato com Adilson Rabelo anteontem pelos telefones celular e residencial, mas as ligações não foram atendidas. Ontem, Rabelo atendeu o telefone celular e, após a identificação da repórter, a ligação foi interrompida. Novas tentativas foram feitas e nenhuma outra ligação foi concluída. Segundo o porteiro do prédio onde o ex-secretário mora com a família, ele permanece na cidade.





